A EUROPA NA SUA ENCRUZILHADA

Nos últimos tempos a União Europeia - se encontra em uma encruzilhada vital, causada pelos acúmulos que em diversos campos se foram dando, tanto pelas politicas erróneas da própria governança europeia, como pelos fatores externos - que a mudança continua sempre traz...

 A ENCRUZILHADA ECONÓMICA

A partir da rutura da bolha financeira tanto em Wall Streat, como em Londres e Tóquio, em 2007-2008, que marcou o limite biológico do sistema economia de dominação Ocidental global - Europa entrou em uma situação de pressão constante, no nível dos seus recursos económicos e do saneamento das suas finanças.

Por um lado o resgate bancário privado, por meio da socialização das perdas e da privatização dos ganhos (na maior parte dos casos os bancos europeus não devolveram os empréstimos - que se tornaram regalos carregados sobre o peso da cidadania da União) - traz consigo uma situação de dificuldade crescente para os setores operários do continente. A demanda agregada vai a sofrer em extremo - o consumo vai ser mantido através duma situação pouco sustentável de mais acumulo de divida publica (por meio de incentivos) e privada (em forma de credito).

Por outro lado o mesmo resgate dos grandes bancos da União - forçou que o problema da divida privada - fora elevado ate um patamar de excesso de dívida pública. Aí os estados europeus passaram a depender todavia mais da compra das suas dívidas soberanas e do auxilio do Banco Central Europeu - uma entidade privada que ao emitir sua moeda em forma de divida (a exemplo da Reserva Federal dos EUA) - e ao permitir os bancos privados financiar os estados - aumenta substancialmente o fardo daquela, já de por si, elevada dívida soberana estatal. Um problema que precisa a sua vez de liquidez externa para ajudar a seguir mantendo em pé o sistema de dívida - mantendo a confiança do inversor na suposta força dum euro, que como moeda "fiat" não tem respaldo nem em ouro, prata ou quaisquer outro tipo de matéria-prima tangível - somente na confiança do inversor. Confiança na rentabilidade do bonus - de divida adquirido - que em tempos de crise profunda pode deixar de ser atrativa.

A ENCRUZILHADA CIENTIFICO - TECNOLÓGICA

Muitas empresas europeias, que sobreviveram nos últimos anos (antes da crise de 2007-2008) pelos incentivos estatais e também pela fluência de capitais privados - começaram a ver reduzidas suas capacidades - por causa de falta de um maior e melhor financiamento. Os incentivos estatais em forma de liquidez, foram na sua maior parte utilizados para recomprar suas próprias ações - evitando assim uma queda bursátil das empresas.

Estas empresas, ao igual que nos EUA, acabaram de ser conhecidas por empresas "zumbis" - com aparência de solidez, mas na base enfraquecidas. O dinheiro que teria que ser investido em I+D+I rumou de novo para sistema financeiro - que o devorava tudo.

No final da década de 90, após o trunfo nos anos oitenta do "neo liberalismo" na Norte-América de Reagan e na Inglaterra de Thatcher - o sistema social do Estado Providencia ou "Estado do Bem Estar" (que foi funcional, junto a OTAN, para manter a URSS fora da Europa), com a queda da União Soviética, foi removido. Esse sistema tinha apostado fortemente pela Europa industrial exportadora de bens de valor agregado, e uma economia com um reparto mais equitativo do ganhos entre o capital e o trabalho, assim como um certo equilíbrio entre o publico e o privado.

A introdução do modelo económico financeiro - alentou a fugida do setor produtivo - fora do continente em procura de mão de obra barata - com dependência final duma logística de cadeias de produção externa. Enquanto Ocidente mantinha o controlo económico global - por meio dos seus bancos de investimento externos - por meio do controle Banco de Pagamentos Internacionais - com sede em Basileia - dos fluxos de capital global. Assim como o poder de regulamento internacional tanto do FMI e Banco Mundial - como das agencias de avaliação de dívida (Standard & Poor´s; Moody´s ou Fitch Ratings) - Assim como o controle dos tratados comerciais internacional por meio da Organização Mundial do Comércio... E dizer enquanto a globalização estava em expansão - tudo era fiável, cómodo, factível... para manter tanto o dólar como o euro - como moedas de reserva e extensão global.

Mas sendo o euro subordinado do seu irmão maior o dólar - quando o sistema entrou em colapso - motivado pelo excesso incontrolável de dívida - muitos países começaram e ver uma oportunidade - para tornar-se potencias regionais e depois globais - desafiando o controlo sistémico do ocidente - através de umas economias mais pegadas a realidade industrial e produtiva - Duma balança de pagamentos bem saneada e duma expansão comercial em ascenso - que, a partir da década de 2010 - foi facilitada com capacidades próprias de financiamento e de oferecimento de ciência e tecnologia própria, bem adaptada a um sul global - de cujas necessidades o Ocidente se tinha desligado.

A sua vez o sistema financeiro que priorizava na Europa - o capital privado - começou a enfraquecer, durante décadas, as capacidades de soluções publicas por parte dos Estados membros - ao incentivar o capital privado a expandir-se em detrimento do público (quebrando o velho equilíbrio das velhas social-democracias).

As universidades e centros de estudo privado foram, em este caminho, muito mais beneficiadas - através de bons convénios - aumentando seu prestígio, em detrimento dos centros públicos. As classes trabalhadoras começaram a ter menos oportunidades - enquanto em outros países como a China - a demanda académica aumentava exponencialmente - tornando seu novo capital humano - numa joia, que ia permitir os avanços cientifico - tecnológicos, do que hoje a China faz exposição mundial - em todas as infraestruturas que desenvolve no mundo.

Industrias poderosas europeias, como as automobilísticas - perderam sua capacidade de concorrência com a China - tanto pelo período zumbi - como pela perda de mercados emergentes. E finalmente tendo que permitir a entrada do poder industrial chinês na mesma Europa.

Algumas soluções que oferece a União Europeia - aumentam a crise global de incerteza - ao começarem a reciclar certas industrias de manufatura em industrias de produção militar.

A ENCRUZILHADA MILITAR

A aposta europeia - na queda da Rússia - no se confronto com a Ucrânia - dissolveu os canais - pelos quais a energia barata russa chegava ao continente - Fazendo a União num primeiro momento cair nas mãos duma maior presença geopolítica norte-americana, ao ter que comprar energia dos EUA muito mais cara. E depois, ante a impossibilidade dos Estados Unidos fornecer toda a energia necessária ter de procurar diversificar suas fontes.

A guerra com a Ucrânia escalou de forma alarmante - chegando mesmo a atingir território russo - em profundidade - na procura de danificar as instalações energéticas e mesmo militares estratégicas da Federação Russa.

O governo russo acusa a União Europeia - de lançar ataques com drones desde territórios bálticos - deixando aberta a porta a retaliação dentro de território europeu num futuro, se estes ataques continuar.

De momento o Kremlim não quer chegar tão longe - devido a qualquer pais da União membro da OTAN - poder invocar o artigo 5 - que obrigaria a Organização Atlântica entrar em confronto direto com Moscovo.

O governo russo está seguro de que a Administração Trump - somente mantêm sua presença formal na OTAN para seguir exercendo influencia geopolítica dentro da Europa - e mantendo um certo vassalagem dos governos europeus a suas politicas externas. Mas que no caso da Ucrânia - o atual governo norte-americano vai deixar sozinha a Europa

Assim que Rússia tenta chegar a acordos, as vezes mesmo muito difíceis com a administração norte-americana (com chamadas diretas por telefone entre o presidente russo Vladimir Putin e o norte-americano Trump) - no caso da Ucrânia - enquanto no Oriente Meio - a relação se torna muito tensa....

O lançamento recente de mísseis "Oreshnik" e "Zircon" em Kiev, com destruição de instalações militares subterrâneas - foi mais um aviso aos dirigentes da União Europeia, de que em uma guerra convencional - sem o ápio dos EUA - Europa não teria nada a fazer contra o moderno arsenal militar russo.

Sergei Karaganov - dirigente do Conselho de Política Externa e de Defesa da Federação Russa - opina que o presidente Putin - deveria dar luz verde - a um ataque preventivo sobre instalações e fabricas militares, que desde alguma cidade europeia, colaboram e fornecem equipamentos a Kiev- com a famosa frase de: "Washington não vai arriscar Boston por salvar Gdansk ou Potsdam" - Mais de momento, como já escrevemos, Vladimir Putin - não quer tentar a sorte, e acha Trump muito imprevisível para provocá-lo.

De momento o presidente russo - se limita a oferecer, se finalmente se chegar a um acordo na guerra contra o Irão, uma solução vantajosa para os EUA - se Trump aceitar um final de guerra na Ucrânia.

Mas Trump quer um acordo com a Rússia - que permita afastar o gigante euro-asiático da China. Mas Putin, vem de reafirmar, na sua última viagem a Beijing - que a parceria geoestratégica com a China, de momento, não tem volta atrás.


AS ENCRUZILHADAS FINAIS

Assim que Europa se encontra submetida a uma pressão interna e externa de difícil solução a curto e longo prazo. E o pior de todo, que de chegar-se a um acomodo geopolítico global - dentro deste novo mundo, em mudança, onde a multi-polaridade parece tomar corpo - a Europa não vai participar do reparto geopolítico - onde o mesmo Brasil, Índia e Sul-África de jogar bem suas cartas - podem ter assento, numa segundo ronda - pois a primeira mesa será criada entorno do novo eixo tripolar de poder mundial: Rússia - China - EUA.

Esta mesa retiraria, por um longo tempo, a ameaça de guerra total - em todas as frentes; mas no reparto - nem Rússia, nem a China - lhe vai importar a sorte da Gronelândia. O Brasil terá de lutar para evitar os EUA ficarem com todo a América - mas a Europa já não poderá decidir - senão determinar rapidamente um novo rumo de alianças, e uma nova estrutura militar, com novo visão económica, que lhe permitir sair do controlo norte-americano e da asfixia que esse controlo hoje em dia traz.

As encruzilhadas económica, cientifico - tecnológica, energética, militar e geopolítica - seguem a cercar o velho continente que durante 500 anos dominou o mundo, mas que agora ainda não despertou do seu sonho de grandeza - e não pode ver o caminho da sua internacional irrelevância - se não agir já para evitar este cenário. 

"O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete" (Aristoteles).Jovem Empresário Na Encruzilhada No Conceito De Incerteza Foto Royalty  Free, Gravuras, Imagens e Banco de fotografias. Image 95065352450 × 300

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