UMA OPORTUNIDADE PARA O BRASIL? Por Artur Alonso

"O poder sobre os outros é a fraqueza disfarçada de força" (Eckart Tolle - do livro "O Poder do Agora")

Como já temos falado em outros textos, ao respeito, a Administração Trump numa nova tentativa de redesenho da arquitetura global (por causa da China ter ganhado o combate dentro do tabuleiro da globalização) precisa afirmar sua soberania sobre grande parte do hemisfério ocidental - e desde ai tentar o controlo total do mundo - cercando a China e a Rússia dentro das suas áreas mais restritas.

Para isso precisa ter o controlo da maior parte da energia mundial - suas fontes, logística e redes de distribuição. O controlo estratégico de terras raras, o acesso a territórios factíveis para o desenvolvimento da IA, como Gronelândia. Impondo pela força dos factos o poder do dólar como única moeda de reserva global - mantendo a maior parte dos países presos da armadilha das dividas, geradas nesta moeda - para seguir mantendo Washington seu "enorme" défice fiscal, pagado pelos compradores da sua divida. Segundo a nova nomenclatura Trump estes compradores de divida externa norte-americana deixam de ser credores de divida e passam a ser subordinados pela obrigação de compra; sendo que eles não vão poder desfazer-se de seus títulos de divida norte-americana, sem o consentimento de Washington.

Para conseguir este cenário - foi preciso a anuência da oligarquia norte-americana - que na base está a pelejar-se entre grupos de tecnocratas e financistas - mas no topo apoia esta recurso à força, que na pratica quebra com toda a estrutura Internacional, herdada de guerra fria - Ordem global já muito desgastada desde a queda da URSS - quando o sonho norte-americano duma nova ordem mundial unipolar - baseada em regras... Aquele sonho ruiu e a nova realidade levou ao poder oligárquico ocidental apoiar o ideário neo-imperial da administração Trump - como única forma de tentar travar o avanço do poder estatal soberano russo-iraniano-chinês. Poder estatal - neo socialista - que estava a aproveitar o vazio deixado pelos norte-americanos quando a contração da doutrina globalista, após a queda do pulmão financeiro e a retirada das tropas do Afeganistão... Esta nova realidade levou ao poder privado ocidental a permitir e apoiar o surgimento do modelo neo fascista - ou Corporativo Privado tecno-feudalista como único recurso viável para confrontar o neo socialismo estatal... Tematica que como temos afirmado, no começo deste artigo, foi já abordado em outros textos...

A OPORTUNIDADE FUTURA DO ISBA 

"A grande sabedoria é generosa, a sabedoria mesquinha gosta de disputa" (Chuang Tzu)

Açoitado pelas diversas problemáticas internas, o primeiro ministro israelita Benjamin Netanyahu, está a atrair ao presidente norte-americano Donald Trump à ratoeira da Ásia Ocidental ou Oriente Meio - A necessidade de derrubar o regime iraniano, para consolidar o domínio do projeto sionista do Grande Israel sobre a região - precisa da colaboração ativa dos EUA - O poder do lobby israelita dentro da administração norte-americana - permite essa aposta se concretizar - A guerra com Irão está em andamento. Mas Washington precisa duma guerra rápida e efetiva - por terra, mar e ar - Ou talvez a alternativa de u m bloqueio naval sobre a nação persa - como forma de enfraquecer ainda mais a sua já fraca economia (muito debilitada pelas sanções e o ataque a sua moeda nos mercados internacionais de cambio)...

Mas o Irão já anunciou que ia retaliar a uma agressão com uma guerra aberta total em toda a região... Se o pior dos cenários se concretizar e partirmos para uma guerra prolongada - o hegemon norte-americano vai sofrer muito. As tensões internas - entre o poder trumpista e os silos, ainda vivos, de poder democrata vão em aumento - O ensaio de Venezuela que pode servir para um confronto com Irão - as ameaças a México e Cuba... Mesmo que Washington tenha conseguido retirar o sustento de petróleo mexicano à Havana (vital ao falhar agora o subministro venezuelano) - assim como guerra aberta contra Canada - centrada na segregação da província mais petroleira Alberta - junto a tentativa de travar a desdolarização global - Semelha demasiado mapa a ter de abranger para a posição real da economia, tecnologia e capacidades militares atuais dos EUA...

Em este cenário - novas potencias - apagadas pelo poder de imposição norte-americano podem ver uma oportunidade de marcar seus novos limites - ousando iniciar um processo de independência económica e politica real - e um caminho soberano sem retorno - e aí é onde surgem tanto a Índia, como Sul-África e o Brasil... Os membros do ISBA - que além do mais marcam um caminho intermédio entre o confronto entre os dois blocos autoritários - O Ocidental anglo- norte-americano - de poder oligárquico privado - o Oriental Russo - Chinês de poder estatal - O ISBA, hoje pouco relevante, pode torna-se um poder intermediário - que mantêm o ideal de Estado Social Democrático - desde final do século XX - abolido na Europa em favor do poder financeiro privado - marcado pelo Banco Privado Central da Europa ou BCE.

Um terceiro poder - que pode trazer muitos benefícios para humanidade - pois, como no caso particular do Brasil, tende a favorecer a diplomacia da paz - a China, habituada historicamente a tomar o controle por meios económicos (lembremos que antes da Grã Bretanha ter sumido na miséria após as "guerras do ópio" Beijing era o poder económico mundial ate aquele final do século XIX) - a China, falávamos, tende agora a projetar também seu poder militar - e reforçar seu mercado interno - em previsão dum possível confronto com os EUA - que já não tem forma de manter sua predominância mundial, se não for através de guerras.

Movimentos inteligentes de Brasil, Índia e Sul-África - podem amortecer um atrito global - que com o tempo, nos depare uma guerra aberta total. Dai a importância destes países, em tempos de muitas frentes abertas para o império norte-americano,  saibam e tenham a oportunidade de criar seus sistemas internos de soberania, suficiente, para projetar acordos globais que, por sua própria natureza, travem a deriva belicista. Acomodando o mundo - da nova realidade multi-polar e multi-nodal - em zonas de influencia e colaboração

A CAPACIDADE PRESENTE DO BRASIL 

"O otimista pode errar, mas o pessimista já começa errando" (Juscelino Kubitschek)

O Brasil já desde seu último Imperador - que muito sabiamente não deixava penetrar estrangeiro algum na Amazónia - leva tentando (por meio das suas fações soberanistas) alcançar esse direito ter voz no cenário global.

Mas o lobby organizado da oligarquia nacional - que tem seus interesses entrelaçados com o poder oligárquico mundial - trabalhou sempre em contra dessa soberania - Esse lobby derrubou Pedro II, Getúlio Vargas, amarrou como as seus interesses o setor soberanista durante o período ditatorial e tenta travar qualquer avanço em favor dessa independência real do gigante sul americano, no presente.

Mesmo assim o Brasil, por meio do esforço do seu poder militar e civil soberanista tem avançado dum modo firme na criação duma estrutura estatal poderosa - que lhe permitiu, ate o de agora, confrontar aquele poder oligárquico global ~ que pretende tomar nas suas mãos os recursos vitais do país - em favor dum poder privado internacional - com sede e  núcleo central muito longe de Brasilia.

 Desde o ano 1975 o Brasil tem desenvolvido um programa "secreto" de controlo da energia atómica, independente de tecnologia e patentes estrangeiras, que agora pode resultar vital para seu sonho emancipador. A pesar das pressões de potencias internacionais - Brasil, que é um dos maiores possuidores de reservas de urânio - tem sabido resguardar seus avanços autónomos em esta tecnologia - e agora esta prestes, não somente a começar a delinear uma frota de submarinos atómicos - com autonomia de combustível de ate meses - que permitirão patrulhar num futuro - não longínquo - a sua extensa costa atlântica - resguardando suas riquezas - Se não que também pode desenvolver ursinas nucleares (ao estilo das que os russos já utilizam no ártico) - mas de patente própria, com capacidade de alimentar de energia pequenas cidades...

O seu poder hídrico e os avances em este setor também são prometedores. A capacidade aéreo espacial - de empresas como Embraer - permitem possuir novos Aviões de Caça de fabricação nacional - isentos do controlo norte-americano e suas limitações (aqui os convénios com a Suécia tem sido todo um sucesso)- Assim como de realizar parcerias na área de satélites, que num futuro possam permitir uma independência do poder da missilística brasileiro - do controlo norte-americano - que pratica deixa vulnerável a defensa do espaço aéreo do Brasil - se o país decidir quebrar o tratado militar que o submete aos interesses de Washington

O seu desenvolvimento cientifico tecnológico no campo da agricultura - projeta ao gigante amazónico como no novo celeiro mundial - e a abertura de novos mercados em este âmbito não tem deixado de crescer e

Minerais estratégicos - podem dar pulo, se as parcerias ser adequadas - por exemplo de Sul África - recebendo, em convénios equitativos, técnicas inovadoras de mineração e intercambiando conhecimento académico.

A colaboração com a China na possível ferrovia que abra Brasil a Costa do Peru - apesar da fricção com os norte-americanos - pode, se for realizada, dar ao comercio brasileiro um pulo oceânico extraordinário.

A abertura do mundo académico as camadas populares - vai criar um novo e poderoso capital humano - que devera multiplicar o poder de investigação e inovação da nação - Manter uns serviços públicos de saúde, educação, junto a um salário decente para a imensa massa operaria do Brasil - não somente vai fortalecer seu mercado interno - se não que vai possibilitar ao estado de maiores receitas - para seguir implantando o programa soberanista - que somente pudera triunfar - se a maior parte da população trabalha unida a favor do mesmo - Devem lembrar nossos irmãos e irmãs brasileiras que as independências não se pedem ou ser rogam aqueles poderes forâneos que agora tem ainda controle geopolítico sobre seu território - devido precisamente ao país ainda não ter a maturidade necessária para criar as condições de libertação - se não que as independências se conquistam.

E a população brasileira - guerreira e pacifica - esta a lutar como nunca - para esse sonho tornar-se realidade. O estado deverá em este processo dar oportunidade a sua população para que se forme - lute, labore e conquista para si e para seu povo o direito de tomar a rédea dos seus destinos 

A CAPACIDADE FUTURA DO BRASIL

"Deus nos concede, a cada dia, uma página de vida nova no livro do tempo. Aquilo que colocarmos nela, corre por nossa conta" (Chico Xavier)

O povo brasileiro atual me lembra aquela frase do escritor Paulo Coelho, no seu livro "O guerreiro da luz" - quando afirmava: "Quando um cavaleiro cai do cavalo e não torna a monta-lo no minuto seguinte, jamais terá coragem de faze-lo novamente" - Sendo que este povo cai e tem coragem de antes de um minuto voltar a montar esse cavalo - Por isso achamos, a pesar das muita e profundas dificuldades, o povo brasileiro já decidiu nunca mais ajoelhar-se... E essa determinação vai marcar este presente de esperança e aquele futuro de prosperidade - O operário e operaria brasileira de hoje está lutar como nunca pelo futuro dos seus filhos - e este passo à frente já não pode ser travado, por nenhuma potencia estrangeira.

 Um grande problema se encontra na polarizarão politica atual - a divisão interna é uma muito má noticia para o Brasil - e magnifica para o poder oligárquico internacional que almeja controlar os bastos recursos terrestres, aéreos e marítimos do gigante amazónico.

Outro problema relevante e a crescente influência nas fronteiras (Chile, Argentina...) do poder anglo americano que começa a cercar o Brasil - e faz pressão externa e interna - para tomar posse das suas riquezas - A desgraça da Argentina, com entrega total militar ao comando norte-americano e entrega total do seu território (a Patagónia queimada já pode ser vendida a Corporações Privadas estrangeiras) - cria um grande problema para Brasília.

A aliança soberana argentino - brasileira - permitiria anular a projeção anglo americana sobre o sul da América e o caminho a Antártida - num futuro vital - como a corrida ao Ártico - Neste momento Brasília não pode nem deve avançar em planos tão ousados - que anulariam seu devido crescimento e coesão interna - vital para num futuro das outras batalhas mais ambiciosas. Mas sim deve apoiar - de forma eficaz, encoberta e discreta aos setores soberanistas argentinos e chilenos, que com muito esforço, coragem e determinação estão a lutar pela independência dos seus devidos territórios... E nõs sabemos que n nossos irmãos e irmãs da Argentina, Chile e Uruguai - filhos de Artigas e San Martin - são o suficientemente aguerridos para afrontar estes desafios presentes e num futuro voltar a levantar as bandeiras ao vento das pátrias libertadas - e da fraternidade humana - Será uma longa, dura e arriscada travessia, mas no final - os povos do Sul da América terão unido seus cantos - no marco dum modelo soberanista a todos comum.

O caso da Venezuela facilita, por um lado o modelo de coesão regional brasileiro, dado o modelo bolivario - que tentava expandir a Venezuela - agora derrotado - não ser um modelo concorrente com o modelo de expansão brasileiro - e, em parte por isso, condenado ao fracasso - Pois somente o gigante amazónico - pode liderar o processo de emancipação e futura unidade da América do Sul - Dado ser único com as capacidades territoriais, demográficas, e cientifico - tecnológicas para levar a frente um projeto tão ambicioso.

Por outro lado se os EUA fazer-se com controlo total do território venezuelano - Brasília vai sentir ainda mais a pressão do poder anglo americano - na suas costas... O ideal para o Brasil e a América do Sul - será que o novo governo venezuelano possa incorporar-se ao campo social democrático do novo poder brasileiro - de estado forte, mas não totalitário - com respeito a iniciativa privada - sempre que esta iniciativa não se converta em um lobby anti-estatal - E tanto a Venezuela como o Brasil possam, junto a outros países da América do Sul - manter um bom relacionamento com Washington - que não vire em dependência.

OS DESAFIOS 

"Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em ti" (Isaías 26:3)

A nova situação de remodelação do cenário global - Onde o confronto com Irão - vai marcar muitas das dinâmicas internacionais futuras - dependendo do resultado - mas que de tornar-se em guerra prolongada vai desgastar muito aos EUA - Vai abrir também janelas, para que potencias regionais - como Índia, Sul África e Brasil - tenham sua oportunidade de ser um vetor de acomodamento internacional - entre diversos atores geopolíticos

Se Brasil, afinal, conseguir afiançar, com muito esforço, perseverança e determinação seu poder no Sul a América - os EUA ainda terão primazia no Norte - a Rússia que não pode deixar cair ao Irão - pudera manter seu poder na Eurásia - a China no extremo da Ásia - com projeção na economia global - E o Brasil, poderá também afirmar suas alianças no sul da África - criando a semente para uma futura civilização oceânica - onde o chamado mundo latino - africano e da Oceânia - terão os braços abertos para conhecer-se e afirmar-se como coletivo a viver e sonhar no novo mundo - que esta nascendo, com a suas devidas dores de parto... 

Por sua vez, como temos falado em outros textos, diversas profecias como as de Pietro Ubaldi (queda da águia do norte, levantamento do condor do sul), Xico Xavier (Brasil coração e pátria do Evangelho), como as sicografias de Benjamim Solari Parravicini; ou os textos do mexicano Jose de Vasconcellos (a raça cósmica) - situam ao gigante amazónico, não como povo escolhido para governar e impor - senão como terra de provisão - promissão - Terra de irmandade, local de acolhida para os bons e fieis à lei - em tempos de guerras e perseguição... 

Um futuro novo centro geográfico na América do Sul - construído desde o espírito da generosidade - e a visão universal do respeito a diversidade (politica, cultural, confesional...), unida pela comum essência

"Sentir primeiro, pensar depois                                                                                                              Perdoar primeiro, julgar depois

Amar primeiro, educar depois
Esquecer primeiro, aprender depois

Libertar primeiro, ensinar depois
Alimentar primeiro, cantar depois

Possuir primeiro, contemplar depois
Agir primeiro, julgar depois"

(Mario Quintana)



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