A GUERRA DO IRÃO E A NOVA TÓNICA EVOLUTIVA- por Artur Alonso

 Entre as diversas realidades que confluem nesta nova guerra- entre o Império Norte-americano e Israel contra o Irão - a capacidade de resiliência e retaliação da nação persa não deixa de assombrar a uma opinião pública ocidental,  muito pouco preparada para aceitar a viragem geopolítica que está em jogo - e não só. 

O que está a acontecer em este embate, entre o poder regional persa (apoiado nas sombras por China e Rússia) e o poder norte-americano (em apoio do novo projecto do "Grande Israel) tem repercussões em todos os tabuleiros, que definem a realidade humana 

A impossibilidade dos norte-americanos vencer Irão escalando o conflito, já de por monstra uma nova realidade global em andamento, que já não pode ser ignorada. 

A MUDANÇA GLOBAL 

No plano social- da interpelação humana com o meio - o velho sistema focado no "Ter" (possuir, consumir, aparentar...) - Deixa passo, devagar, a nova realidade centrada no ser (no relacionamento do ser humano com sua psique, com a sociedade em que está inserido, com o meio ambiente que o rodeia, e com outras sociedades com as quais convive) - A procura dum novo significado, para uma nova realidade, em contínua mudança (que procurará Erich From, no seu famoso livro "Ter ou Ser") já tem resposta

No plano económico- o poder do "Deus Mercado " - e seu poderosos Templos (Centros de Finanças e Bolsas de Valores) que movimentavam a atenção planetária, deixam lugar, muito timidamente, mas sem retrocesso ou pequenos recuos, a o Novo Templo dos cidadãos (com suas preocupações intrascendetes e transcendente) e ao surgimento duma Nova visão- do Deus protetor, conservador e preservador da natureza,  da vida, do indoviduo e dos valores sociais - A virtude principal deixa de ser possuir- acumular e impor pela força da riqueza- sendo substituída pela virtude do progressar individual e colectivamente, sem esquecer a mãe natureza 

No plano geopolítico- que contém dentro de si o político - o Poder Privado das Oligarquias Globais (agora divididas e em briga entre EUA e Europa) perde em favor do novo Poder Estatal. O poser marítimo talassocrático privado deixa passo a uno poder terrestre telurocrático Estatal.  O mercado global deixará, aos poucos, de ser manipulado e controlado pela Oligarquia financeira e passará a ser regulado pelo futuro consessesso das Grandes Potencias estatais.  O poder privado deixará de alimentar financeiramente e controlar aos governos - e o Novo Poder Estatal- controlará e orientará o sector privado (como na China actual) - tal como estudou magistralmente o economista russo Serguei Glaziev 

No plano civilizacional, que contém dentro de si ao cultural, o futuro modelo de dominio através do poder Tecnocratico Privado, de caráter progressista, atraves dos dados acumulados na "nuvem informatica" - e sua tentativa de construção Tecno Feudal Malthusiana - perdeu já em favor do modelo conservador Estatal- neo socialista. Onde o indivíduo e seus esforços favorecem o bem estar duma comunidade de valores e virtudes compartilhadas - onde o poder da Inteligência Artificial- não poderá acelerar a dissolução da harmonia social....

No Plano maior da Noosfera ou "Esfera do pensamento " - estudada pelo russo Vernardisnky e pelo jesuíta francês Theilherdal - a cosmovisão do indivíduo como ente social e gestor ambiental- em início focada no louvor do sacrifício colectivo, em aras de fazer o andamento da nova sociedade- substitui a tentativa duma cosmovisão estratificada em camadas sociais, olhando a explosão demográfica como causante dos piores males - Uma vez as elites tecnocráticas decidirem o humano mão de obra - ser desnecessário- ao poder ser substituído pela robótica.... Essa sociedade tecnocrática malthusiana perdeu já em favor da sociedade coletiva- da formação humana em favor da colectividade e meio ambie - de maior lecer formativo para todos (não somente para uma munoria - enquanto o resto, da já reduzida população, ficaria no lazer dos novos entorpecentes...)

AS TÓNICAS EVOLUTIVAS EM CONFRONTO 

O novo sionismo expansionista- de Netanyahu- nasceu da raiz neo fascista do ucraniano Lev Jabotinsky- o pai de Netanyahu foi secretário do mesmo. Recolhendo o ideal de colonialismo de substituição- que os ingleses praticaram em Norte-  América (não se enganem os indígenas, poucos,que ainda ficam nas reservas foram aqueles que estavam nos territórios do antigo império espanhol. Tanto o império espanhol como o português- faziam um colonialismo de miscigenação)

A sua vez o ideal escatológico do novo sionismo, quebrou com a velha tradição judaica. Aquela velha tradição falava de que o povo de Israel, somente poderia voltar à Terra Prometida, uma vez o Messias tiver chegado à face da Terra

O novo sionismo revisionista de Netanyahu mantém, pela contra um novo ideal (mais recente) segundo o qual, para efetuar a chegada do Messias será preciso expandir as fronteiras de Israel - dese o Nilo até o Eufrates. Assim como levantar o III Templo de Salomão.

A aliança com os evangélicos sionistas norte-americanos,  vem da visão, destes últimos de ser precissa a construção do Grande Israel e do III Templo, em Jerusalém, para poder-se efetuar a Segunda vinda de Jesus Cristo 

A cisão narrativa entre se que chegar, quando o projeto estiver concluído- se o Cristo, que aguardam os evangélicos ou o Messias, que aguardam os judeus sionistas (os judeus da velha tradição, seguem reclamando o fim do Estado de Israel, para poder suceder a chegada do "verdadeiro Messias", segundo eles) - Esta divergência, entre cristãos e judeus, ambos sionistas,  se resolverá quando, segundo a nova aliança: o Messias chegar - e Ele mesmo desvelar se for o Cristo ou não...

No entanto, os seguidores maioritários da visão escatológica sionista, seguem o Talmude de Babilónia, onde Cristo é representado como o pior dos hereges, padecendo pela eternidade um terrível castigo eterno...

Esta visão neo imperial sionistas- confronta aos EUA (que no atual governo Trump apoiam cegamente a Netanyahu) com os seua aliados tradicionais - que teriam que perder parte ou a totalidade do seu território, para a criação do Grande Israel 

Muitos destes aliados se vêm hoje atados a proteção militar norte-americana e com a coacção de grande parte das suas reservas figurar em Bancos norte-americanos e podem ser confiscadas.

Mas a destruição, praticamente total, por parte dos mísseis iranianos, de quade todas as bases militares norte-americanas e, a sua vez, os golpes pequenos, mas firmes da China, contra a hegemonia do dólar... Assim, como o recente feche do Estreito de Ormuz, que está a por em stresse a economia norte-americana, con um excesso de endividamento, ao tempo que o pagamento de peaje, pelo Estreito se deve realizar em moeda iraniana ou yuan chinês...segue a acelerar a criação dum novo organograma global alternativo ao petró dólar 

Finalmente temos pois um Império em declínio,  que a pessar da propaganda já, na realidade, não tem a supremacia militar (os porta aviões norte-americanos são impossibilitados, pelo poder dos drons iranianos de achegar-se ao teatro de operações- estando a mais de mil quilómetros de distância...)... Também não possui a primazia económica e, mesmo está a perder a carreira das novas tecnologias. Sendo dependente esse império das "terras raras" chinesas (o maior dos seus adversários)...

Se decidir seguir escalando- China e Rússia estarão, por trás, apoiando sucessivamente Irão (segundo o nível da escalada) - enquanto observam a este império em declínio- morrer dentro do seu labirinto,  sem o fio de Ariadne que salvou Teseu 

No lado iraniano, a visão escatológica xiita- curiosamente ao igual que os sunitas che chechenos - acreditam na Segunda Vinda de Cristo... Sendo que em esta Segunda Chegada, Cristo se mostrará como filho de Deus (enquanto na primeira, segundo a tradição muçulmana, somente se presentou como profeta)

Para essa chegada poder-se efetuar, primeiramente terá que vir ao planeta o Mahdi - como protector do justos - contra os demónio predadores identificados, pelos xiitas iranianos, como os EUA atuais e o Israel de Netanyahu 

Se a isto acrescentar queo filósofo russo Alexander Dugin, afirmou que em caso de grande escalada no Irão, com envolvimento regional, a Federação Russa devia participar ao lado de Irão, para combater o anticristo ou falso Messias dos sionistas... Criando uma aliança global Cristiano- Muçulmana contra o poder satânico do novo sionismo...

Não dá para pensar se possa escalar tanto... E tudo aparenta o império norte-americano vai iniciar seu fim, em está aventura- sem chegar ao pior cenário 

Este império em Decadência- simboliza a tónica involutiva, da entropia, dum sistema de domínio global- caido na perversão da "Lista Epstein " - na loucura do negócio como princípio de todo (somente ver a foto da delegação norte-americana, nas conversas de paz, em Islamabad - onde a voz principal era de promotores imobiliários... Pela contra a delegação iranianos estava fortemente representada por académicos- opondo a formação humana do ser.contra a ambição do Ter)

Por outra parte a morte em suas residências particulares, de vários altos cargos iranianos, incluído o Lider Supremo- permite ao governo persa - manter a narrativa de seus lideres ter-se negado a ir a locais subterrâneos protegidos- enquanto não houver locais suficientes para toda a população 

Além disso o Irão é diverso, multicultural e multi confessional- mesmo cristãos e judeus, como seguidores de Zoroastro tem suas representações religiosas e politicas autorizadas 

O Irão segue o velho modelo de império persa - de unidade dentro da diversidade- que fez que o próprio Ciro II fosse reconhecido como libertador do povo hebreu...

Essa visão do Irão- lhe permite encaixar melhor na nova tónica multipolar- multinodal e multicultural,  da nova realidade focada no ser - que a velha tónica supremacista de imposição, pela pressão militar, económica e cultural, do velho imperial norte-americano decadente - que junto com Israel tem todas as de perder... e com sua perda a tónica do Ter da início a Nova Tónica do Ser

O esforço deste novo poder para derrotar ao velho -e trasladar o novo centro hegemónico- do Atlântico Norte até Eurásia- será realizado por seus povos - em ocasiões mesmo de forma "heróica" - o que obrigará ao novo poder estar a abrir às clasdes mais desfavorecidas - a janela das oportunidades formativas - trazendo consigo a nova Tónica Evolutiva do Ter - o necessário resgate,  dos irmãos e irmãs, que viviam nas periferias....

Os Centros financeiros já não terão tanto pesso como os académicos, tecnológicos, formativos, culturais e humanos- que serão abertos a toda a cidadania...


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