"LOUCURA" DE TRUMP? (Breve Crónica).. por Artur Alonso 

“Trump não é uma das pessoas mais inteligentes do mundo, sabemos que ele não é. Especialmente no mundo em que vivemos” (Scott Ritter)

Contra todos os informes do seu Comando Maior Militar no Pentágono, o 47 presidente dos Estados Unidos de Norte América, Donald John Trump, começou uma guerra - de não retorno? com o Irão - Confronto onde o máximo líder da Republica Islâmica do Irão foi uma das primeira baixas. Mas sem o desmoronamento desejado do regime iraniano, pela contra com mais unidade nacional em torno dum líder - que já é apresentado, pela propaganda nacional, como mártir... Um líder religioso - que pode mesmo inflamar um desejo de vingança, não somente nas etnias muçulmanas de orientação xiita, senão entre todos os fieis e devotos duma religião - onde sunitas e xiitas, poucas vezes tem pontos de unidade... Se no prolongamento da guerra - houver alguma emissão de uma fatwa (fátua) - por parte de algum relevante dirigente religioso ou vários... - Isso poderia complicar muito uma situação regional, já de por si muito tocada... Em este sentido o dirigintes "persas" de momento têm sido prudentes

Iniciar esta guerra contra os informes dos máximos mandatários e especialistas militares - teve algo a ver com a revelação dos "arquivos Epstein" ?- Arquivos onde o mesmo Trump era um dos alvos principais dos mesmos? - Trabalhava o "demónio da ilha satânica" para o serviço secreto israelita Mossad ou para outras agencias governamentais estrangeiras?  São perguntas que ficam no ar... 

O certo que Irão poderia converter-se numa ameaça para o projeto "hegemónico regional" do Grande Israel (mostrado em dois mapas remodelados, na Assembleia Geral da ONU em setembro de 2023 e setembro de 2024, pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu) - mas nunca para os EUA - A ideia de o ataque ser começado por Israel, poderia ser uma formula pactuada, para permitir Trump livrar a pressão militar em contra? Ou simplesmente houve ousadia?.

Os ataques iniciais sobre as cidades iranianas foram muito duros - mas a resposta militar de retaliação dos militares persas - foi também igualmente devastadora - sobre cidades israelitas e sobre tudo sobre as bases militares dos EUA na região. O feche do estreito de Ormuz - uma lacra para economia global

Isso implicou - uma frenética movimentação diplomática - de varias chancelarias (tanto de oriente, como europeias - Europa sem o  a energia russa está a utilizar a da região) Movementos na procura duma baixa da escalada no confronto. Em certa altura Trump - abriu mão duma oferta de dialogo - ao afirmarem a nova liderança iranianas estar disposta a oficializar um acordo. A resposta imediata de Terão foi "fulminante": - não negociariam! Os iranianos, segundo Omã tinham aceitado todas as propostas da administração Trump, horas antes do ataque sobre Terão e a morte do aiatolá khamenei produzir-se. Isso, de momento, não da confiança aos iranianos - que alem acham estar levando vantagem (senão de todo militar, sim geopolítica), no duro intercambio de golpes...

Varios e bem formados analistas militares norte-americanos, ex-militares ou ex-membros do serviço de inteligência, como Scott Ritter, Larry Johnson, Daniel L. Davis, Lawrence Wilkerson, Douglas Macgregor (entre outros), ou europeus como Alex Krainer, o russo Andrei Martyanov, o mexicano Alfredo Jalife... E mesmo dentro o Irão, o professor Mohammad Marandi... já tinam advertido, que mesmo não tendo Terão controlo do espaço aéreo - e mesmo sofrendo imenso com os possíveis e sucessivos ataques da coligação norte americana - israelita, a capacidade dos mísseis hipersónicos e drones iranianos, junto as ajudas encobertas de China (satelital) e da Rússia (guerra eletrónica) faziam uma vitoria ocidental quase impossível (a não ser utilizando uma arma nuclearar - que de ser usada, seria tal vez o ultimo a fazer por Isarel e EUA) - Sendo que o perigo de extensao regional e mesmo global se faz evidente.

Talvez Telavive confia-se numa Rússia - que pelo poder da emigração russo - judaica, em Israel, permanecesse completamente fora do jogo. Mas para a Rússia uma queda de Irão - é um perigo existencial. Para China, a pesar de ter recarregado bem, nos últimos meses, suas reservas energéticas - igual - dado que destruiria as rotas da seda na eurásia. Tanto para Moscovo como para Beijing - o problema de suas regiões muçulmanas entra também em cena - como fator desestabilizador - a poder ser manipulado desde o exterior...

Pois bem, apesar das advertências, o Presidente Trump entrou no labirinto do Mino-Tauro - e Teseu não estã do seu lado - sendo que o fio de "Ariadne" não está em sua mão - e agora - mesmo pudendo chegar algum acomodo, que inclua pressão da Rússia e China sobre o Irão - pressão interna politica nos Estados Unidos (há perda da narrativa de cara aos norte-americanos, que se manifestam, na sua maioria, em contra da guerra... Assim como rumores de tentativa de " impeachment" sobre o Presidente, por saltar-se o protocolo parlamentar...)- Acomodo que poda trazer baixada na escalada - e negociações indiretas - por meio de outras delegacias,  que possam trazer algo de calma. Mesmo, em este  hipotético cenário, o dano colateral para o Império se torna evidente.


"Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas." (O Arte da Guerra - Tzuan Tzu)

DANO IMEDIATO

a) Os Países do Golfo baseavam sua economia - no poder energético (petróleo, gás natural...) Na atração de inversão estrangeira a suas capitais - refugio turístico de milionários - em zona de conforto e bem estar - Tudo isso tinha como referente primordial da equação seu alinhamento geopolítico com o Ocidente e a proteção eficaz do poder militar imperial norte americano. Esta ultima parte, em uns segundos de ataques hipersónicos iranianos - foi tirada ao lixo

b) A perda para os Países do Golfo de uma importante receita económica, pelo feche de Ormuz e os ataques algumas das suas instalações energéticas - afasta estes países de Washington

c) A necessidade da administração Trump - de rebaixar seu gasto militar - assim como a necessidade geopolítica de realinhar-se ate um novo modelo imperial - onde de novo o setor produtivo, energético e das novas tecnologias pudera alçar os EUA ate um patamar que lhe permitira travar o avanço chinês económico e militar russo - era primordial. 

Para isso o abandono da aliança militar tão custosa com Europa - e a procura de retomar o controlo do continente Americano - e a toma de Gronelândia era vital... Mas para isso era preciso isolar Europa - e forjar novas alianças --- Com a situação de insegurança na região do Oriente Meio atual - Os poderes regionais da zona terão de buscar, a longa, mais independência de Washington - e abrir-se a maiores alianças com os novos poderes euro-asiáticos emergentes - Isso vai fazer Trump ter que voltar a afirmar a velha aliança militar com a Europa - abandonando a suposta viragem "soberanista norte-americana"

Prematuro para saber como vai terminar esta guerra - mas Rússia e China não podem deixar cair Irão - e o Império está numa situarão muito difícil - longe das suas bases de reabastecimento - tendo que utilizar já a base de Diego Garcia - inglesa, a vários dias de viagem - Com um complexo militar industrial, que não pode produzir o suficiente para uma guerra muito intensa e prolongada --- E, se realmente o Irão se puder... Não sabemos como vai acabar... Mas o declínio imperial, pode ser um resultado não muito errado... E China, olhara - desde o alto como - o império peleja na planície - desgastando-se...

E sobre a cabeça de Trump voando - a possibilidade, já não tão longínqua, de converter-se no Presidente que ajudou a virar o rumo de poder global do Império. E passar a historia como um nefando líder- como Gorvachev na Rússia? Vamos observar todo este desenvolvimento -

DECLINAR IMPERIAL 

Segundo o professor chinês - canadiano Jiang Xueqin - as estagnações imperiais percorrem um caminho septenário (de novo nos encontramos aqui com o 7 pitagórico dos planos e as realizações - O 7 das escada musical - do arco íris e dos dias da semana):

1,- Excessivo gasto militar - que traz consigo a necessidade de

2,- Devaluação monetária - para fazer frente a o incremento orçamentário tão excessivo. Isso impulsiona

3,- Espiral de Dívida - para poder incrementar os orçamentos de defesa e regular a sobre carga fiscal. Isso implica maior aumento do setor financeiro - alimentando

4,- Perda de produtividade - ao procurar no exterior um setor produtivo com mão de obra mais barata - e mais eficiente - enquanto no centro imperial aumenta a corrida ate novas tecnologias, setor serviços, turismo; aumento bolha imobiliária, bolha tecnológica, compra ativos produtivos para convertê-los em ativos financeiros... Motivando uma impulsão maior do setor das finanças. Isso impele a perda de capacidade de compra direta da classe trabalhadora - o que motiva a abertura da flexibilização do credito para baixo da pirâmide, motivando um endividamento maior da classe trabalhadora, para seguir mantendo o consumo (incentivando o consumo através de publicidade agressiva e sugestiva). Seu esgotamento físico na procura de vários empregos para manter sua sobrevivência. O proletariado passa ser precarizado, o que traz consigo

5,- Decadência social - Essa crise social aumenta o confronto em todos os níveis - no politico a polarização vai em aumento. A economia imperial vê-se ameaçada por novas economias que aproveitaram o deslocamento físico das cadeias produtivas - O que cria uma impulsão do uso da hegemonia monetária global e as sanções económicas para travar o crescimento dos novos rivais políticos.... Isso, a sua vez, aumenta a tentativa de saída dos novos países emergentes do controlo hegemónico da economia e finanças globais, do império, por meio do poder da sua moeda, o que traz consigo finalmente - como afirma Xueqin

6,- Perda do Estatuto da sua divisa - como Moeda de Reserva Global - Isso, segundo o professor Jiang - leva ao fim hegemónico e a um futuro

7,- Colapso Imperial

A oitava acima na escada musical - sempre chega com o reacomodo civilizacional - em um novo centro geográfico - com um novo poder em construção - Que em este caso pode mesmo ser multipolar - multinodal - e multicultural

Os EUA, estão segundo o professor chinês - canadiano - no estagio 5 - E ao chegar e este patamar, todos os impérios avançaram ate o 6 e 7 - A inteligência dos homens prudentes - aconselharia - ao Presidente Trump, ser mais precavido... Mas ele poderá mesmo chegar ser imprudente, ou as circunstancias pessoais e politicas o obrigaram a perder essa aconselhável prudência? - Nas próximas semanas e meses vamos ver alguns resultados. 


"E amanhã, que trará o amanhã ao cão prudente que vai enterrando ossos na areia sem marcas enquanto segue os peregrinos até à cidade santa? E o que é o medo da necessidade senão a própria necessidade? Não é o receio da sede que sentis quando o vosso poço está cheio, da sede insaciável? Há aqueles que dão pouco do muito que têm, e fazem-no para conseguirem reconhecimento e o seu desejo oculto torna as suas dádivas sem valor. E há aqueles que, tendo pouco, tudo dão. Esses são os que acreditam na vida e na magnificência da vida e o seu cofre nunca está vazio."(Khalil Gibran - o Profeta)

Não esquecer a situação estratégica do Oriente Meio: conexão entre Europa- Ásia- África. 60% das reservas energéticas do planeta. Único poder que confronta a hegemonia norte-americana- israelita: Irão...

Mas um erro de cálculo pode não somente comprometer o poder norte-americano na região, senão em toda Ásia. Um declínio de Washington, também afecta sua posição em Coreia e Japão...

E China pode observar esse declínio ou intervirem em caso Irão precisarem- aí estaríamos num cenário de guerra global- que pode expandir o confronto da Rússia com a Europa. 

A melhor hipótese: baixar a escala. Acomodação.

Lembrar, também, que guerreiros que lutam pela proteção do seu território e pelo amor a sua pátria, amigos e família - sempre terão mais confiança na batalha que os exércitos mercenários Em condições de igualdade - o ganho final será seu.



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