"LOUCURA" DE TRUMP? (Breve Crónica).. por Artur Alonso
Os ataques iniciais sobre as cidades iranianas foram muito duros - mas a resposta militar de retaliação dos militares persas - foi também igualmente devastadora - sobre cidades israelitas e sobre tudo sobre as bases militares dos EUA na região. O feche do estreito de Ormuz - uma lacra para economia global
Isso implicou - uma frenética movimentação diplomática - de varias chancelarias (tanto de oriente, como europeias - Europa sem o a energia russa está a utilizar a da região) Movementos na procura duma baixa da escalada no confronto. Em certa altura Trump - abriu mão duma oferta de dialogo - ao afirmarem a nova liderança iranianas estar disposta a oficializar um acordo. A resposta imediata de Terão foi "fulminante": - não negociariam! Os iranianos, segundo Omã tinham aceitado todas as propostas da administração Trump, horas antes do ataque sobre Terão e a morte do aiatolá khamenei produzir-se. Isso, de momento, não da confiança aos iranianos - que alem acham estar levando vantagem (senão de todo militar, sim geopolítica), no duro intercambio de golpes...
Varios e bem formados analistas militares norte-americanos, ex-militares ou ex-membros do serviço de inteligência, como Scott Ritter, Larry Johnson, Daniel L. Davis, Lawrence Wilkerson, Douglas Macgregor (entre outros), ou europeus como Alex Krainer, o russo Andrei Martyanov, o mexicano Alfredo Jalife... E mesmo dentro o Irão, o professor Mohammad Marandi... já tinam advertido, que mesmo não tendo Terão controlo do espaço aéreo - e mesmo sofrendo imenso com os possíveis e sucessivos ataques da coligação norte americana - israelita, a capacidade dos mísseis hipersónicos e drones iranianos, junto as ajudas encobertas de China (satelital) e da Rússia (guerra eletrónica) faziam uma vitoria ocidental quase impossível (a não ser utilizando uma arma nuclearar - que de ser usada, seria tal vez o ultimo a fazer por Isarel e EUA) - Sendo que o perigo de extensao regional e mesmo global se faz evidente.
Talvez Telavive confia-se numa Rússia - que pelo poder da emigração russo - judaica, em Israel, permanecesse completamente fora do jogo. Mas para a Rússia uma queda de Irão - é um perigo existencial. Para China, a pesar de ter recarregado bem, nos últimos meses, suas reservas energéticas - igual - dado que destruiria as rotas da seda na eurásia. Tanto para Moscovo como para Beijing - o problema de suas regiões muçulmanas entra também em cena - como fator desestabilizador - a poder ser manipulado desde o exterior...
Pois bem, apesar das advertências, o Presidente Trump entrou no labirinto do Mino-Tauro - e Teseu não estã do seu lado - sendo que o fio de "Ariadne" não está em sua mão - e agora - mesmo pudendo chegar algum acomodo, que inclua pressão da Rússia e China sobre o Irão - pressão interna politica nos Estados Unidos (há perda da narrativa de cara aos norte-americanos, que se manifestam, na sua maioria, em contra da guerra... Assim como rumores de tentativa de " impeachment" sobre o Presidente, por saltar-se o protocolo parlamentar...)- Acomodo que poda trazer baixada na escalada - e negociações indiretas - por meio de outras delegacias, que possam trazer algo de calma. Mesmo, em este hipotético cenário, o dano colateral para o Império se torna evidente.
"Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas." (O Arte da Guerra - Tzuan Tzu)
a) Os Países do Golfo baseavam sua economia - no poder energético (petróleo, gás natural...) Na atração de inversão estrangeira a suas capitais - refugio turístico de milionários - em zona de conforto e bem estar - Tudo isso tinha como referente primordial da equação seu alinhamento geopolítico com o Ocidente e a proteção eficaz do poder militar imperial norte americano. Esta ultima parte, em uns segundos de ataques hipersónicos iranianos - foi tirada ao lixo
b) A perda para os Países do Golfo de uma importante receita económica, pelo feche de Ormuz e os ataques algumas das suas instalações energéticas - afasta estes países de Washington
c) A necessidade da administração Trump - de rebaixar seu gasto militar - assim como a necessidade geopolítica de realinhar-se ate um novo modelo imperial - onde de novo o setor produtivo, energético e das novas tecnologias pudera alçar os EUA ate um patamar que lhe permitira travar o avanço chinês económico e militar russo - era primordial.
Para isso o abandono da aliança militar tão custosa com Europa - e a procura de retomar o controlo do continente Americano - e a toma de Gronelândia era vital... Mas para isso era preciso isolar Europa - e forjar novas alianças --- Com a situação de insegurança na região do Oriente Meio atual - Os poderes regionais da zona terão de buscar, a longa, mais independência de Washington - e abrir-se a maiores alianças com os novos poderes euro-asiáticos emergentes - Isso vai fazer Trump ter que voltar a afirmar a velha aliança militar com a Europa - abandonando a suposta viragem "soberanista norte-americana"
Prematuro para saber como vai terminar esta guerra - mas Rússia e China não podem deixar cair Irão - e o Império está numa situarão muito difícil - longe das suas bases de reabastecimento - tendo que utilizar já a base de Diego Garcia - inglesa, a vários dias de viagem - Com um complexo militar industrial, que não pode produzir o suficiente para uma guerra muito intensa e prolongada --- E, se realmente o Irão se puder... Não sabemos como vai acabar... Mas o declínio imperial, pode ser um resultado não muito errado... E China, olhara - desde o alto como - o império peleja na planície - desgastando-se...
E sobre a cabeça de Trump voando - a possibilidade, já não tão longínqua, de converter-se no Presidente que ajudou a virar o rumo de poder global do Império. E passar a historia como um nefando líder- como Gorvachev na Rússia? Vamos observar todo este desenvolvimento -
DECLINAR IMPERIAL
Segundo o professor chinês - canadiano Jiang Xueqin - as estagnações imperiais percorrem um caminho septenário (de novo nos encontramos aqui com o 7 pitagórico dos planos e as realizações - O 7 das escada musical - do arco íris e dos dias da semana):
1,- Excessivo gasto militar - que traz consigo a necessidade de
2,- Devaluação monetária - para fazer frente a o incremento orçamentário tão excessivo. Isso impulsiona
3,- Espiral de Dívida - para poder incrementar os orçamentos de defesa e regular a sobre carga fiscal. Isso implica maior aumento do setor financeiro - alimentando
4,- Perda de produtividade - ao procurar no exterior um setor produtivo com mão de obra mais barata - e mais eficiente - enquanto no centro imperial aumenta a corrida ate novas tecnologias, setor serviços, turismo; aumento bolha imobiliária, bolha tecnológica, compra ativos produtivos para convertê-los em ativos financeiros... Motivando uma impulsão maior do setor das finanças. Isso impele a perda de capacidade de compra direta da classe trabalhadora - o que motiva a abertura da flexibilização do credito para baixo da pirâmide, motivando um endividamento maior da classe trabalhadora, para seguir mantendo o consumo (incentivando o consumo através de publicidade agressiva e sugestiva). Seu esgotamento físico na procura de vários empregos para manter sua sobrevivência. O proletariado passa ser precarizado, o que traz consigo
5,- Decadência social - Essa crise social aumenta o confronto em todos os níveis - no politico a polarização vai em aumento. A economia imperial vê-se ameaçada por novas economias que aproveitaram o deslocamento físico das cadeias produtivas - O que cria uma impulsão do uso da hegemonia monetária global e as sanções económicas para travar o crescimento dos novos rivais políticos.... Isso, a sua vez, aumenta a tentativa de saída dos novos países emergentes do controlo hegemónico da economia e finanças globais, do império, por meio do poder da sua moeda, o que traz consigo finalmente - como afirma Xueqin
6,- Perda do Estatuto da sua divisa - como Moeda de Reserva Global - Isso, segundo o professor Jiang - leva ao fim hegemónico e a um futuro
7,- Colapso Imperial
A oitava acima na escada musical - sempre chega com o reacomodo civilizacional - em um novo centro geográfico - com um novo poder em construção - Que em este caso pode mesmo ser multipolar - multinodal - e multicultural
Os EUA, estão segundo o professor chinês - canadiano - no estagio 5 - E ao chegar e este patamar, todos os impérios avançaram ate o 6 e 7 - A inteligência dos homens prudentes - aconselharia - ao Presidente Trump, ser mais precavido... Mas ele poderá mesmo chegar ser imprudente, ou as circunstancias pessoais e politicas o obrigaram a perder essa aconselhável prudência? - Nas próximas semanas e meses vamos ver alguns resultados.
"E amanhã, que trará o amanhã ao cão prudente que vai enterrando ossos na areia sem marcas enquanto segue os peregrinos até à cidade santa? E o que é o medo da necessidade senão a própria necessidade? Não é o receio da sede que sentis quando o vosso poço está cheio, da sede insaciável? Há aqueles que dão pouco do muito que têm, e fazem-no para conseguirem reconhecimento e o seu desejo oculto torna as suas dádivas sem valor. E há aqueles que, tendo pouco, tudo dão. Esses são os que acreditam na vida e na magnificência da vida e o seu cofre nunca está vazio."(Khalil Gibran - o Profeta)
Não esquecer a situação estratégica do Oriente Meio: conexão entre Europa- Ásia- África. 60% das reservas energéticas do planeta. Único poder que confronta a hegemonia norte-americana- israelita: Irão...
Mas um erro de cálculo pode não somente comprometer o poder norte-americano na região, senão em toda Ásia. Um declínio de Washington, também afecta sua posição em Coreia e Japão...
E China pode observar esse declínio ou intervirem em caso Irão precisarem- aí estaríamos num cenário de guerra global- que pode expandir o confronto da Rússia com a Europa.
A melhor hipótese: baixar a escala. Acomodação.
Lembrar, também, que guerreiros que lutam pela proteção do seu território e pelo amor a sua pátria, amigos e família - sempre terão mais confiança na batalha que os exércitos mercenários Em condições de igualdade - o ganho final será seu.
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