Nossa Irmã Julinha - por Artur Alonso
Conhecemos a Julinha, há tanto tempo- e não entanto não foram muitos anos... Mas a Julinha era daquelas pessoas que entraram em nossas vidas, sabendo nós que já a tínhamos conhecido antes mesmo do contacto físico... Talvez de outras vidas
Ela reconhecia, na Margot (minha mulher) alguém muito próxima e a altura da sua magnificência.
E, não era fácil a Julinha reconhecer isso em quaisquer pessoa. Não estamos a falar aqui de sentimentos de superioridade, com respeito a outros seres humanos. Ou de arrogância encoberta, em uma falsa disposição. Falamos da totalidade do ser...
E, a nossa irmã Julinha, sabia reconhecer, de imediato, um ser carregado de bondade e luz, num primeiro olhar - com aquele aceno das velhas saudades
Por isso, no meio mesmo duma reunião, de muitas e variadas pessoas, ela sempre identificava a Margot e, guardava para ela um lugar de destaque na sua mesa.
Suas conversas eram muito variadas: medicina, filosofia, cultura, espiritualidade... Mas havia uma que nunca podia faltar, a nenhuma hora, em qualquer local, em meio das outras converas: a relação especial entre Barcelos e a Galiza.
Sendo que nossa amiga Julinha se observava, assim mesma, como uma portuguesa de raiz muito galega... E assim sempre o manifestava
Não falo aqui somente da Margot, como se ela tivesse uma relação mais especial ou específica com a nossa irmã: a Julinha... A Marcia tinha mesmo uma irmandade muito privilegiada com ela. E outras irmãs no caminho e nos trabalhos por um mundo mais harmonioso, como a Fátima, a Íris, a Paula (por mencionar somente alguma delas) também tinham com ela a suas boas e nobres conplicidades (mesmo em assuntos difíceis para todas)....
Mas eu lembro com muitas saudade e muito amor a conplicidade, nos olhos, na voz, no sorriso .... Nos abraços e nas palavras, entre a Margot e a amada Julinha
E em estes dias, que nossa irmã (como bem falou a Íris) como uma estrela partiu ao eterno... Somente me vem a mente a Julinha convidado Margot a compartilhar sua tolha, a sentar-se na sua beira encostadas às árvores, para observar o rio...
E sinto um profundo amor abraçando todo o meu peito, como se através do calor dado pela Julinha à Margot, o seu amor também a mim me fora dado.
E agora, por fim, entendo: como através das carícias dadas à Margot - a Julinha o seu amor mais elevado a mim também enviava
Com a morte da Julinha, para mim se vai uma das grandes figuras da minha vida: aquela sua elegância natural, em todas as suas ações e falas.
Aquela humildade, aquele jeito de vestir, de saber sentar-se a uma mesa. Aqueles modais aristocráticos... Da verdadeira aristocracia: a dos verdadeiros seres que com suas virtudes fazem mais virtuoso ao mundo.
Marchou a Julinha, e acho poder afirmar, para nós se foi uma das últimas verdadeiras "Senhoras" daquela velha Europa, que no lado da luz, deu tanto brilho ao mundo
Numa Europa caída na Decadência da aparência pelo ter - possuir... a marcha da Julinha deveria dar-nos um tempinho de descanso para reflectir, com calma e equanimidade, sobre aqueles valores imortais, que nunca estão fora da moda e nunca deveriam ter sido abandonados.
Julinha, prezada - Julinha - a paz seja contigo - nossa amada.
Permanece viva na nossa lembrança... e, a sua energia, continuará a vibrar nos nossos corações. Que voltemos a encontrá-la, numa próxima vida. 🤍
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