A ESPERANÇA NUM MUNDO EM CHAMAS -  por Artur Alonso 



"A Força cega do povo é uma Força que deve ser economizada e também controlada, como a Força cega do vapor, que levanta os poderosos braços de ferro e gira as grandes rodas, é feita para furar e tornear o canhão e para balançar o laço mais delicado. Precisa ser regulada pelo Intelecto. O Intelecto é para as pessoas e para a Força das pessoas o que a delicada agulha da bússola é para o navio – sua alma, sempre orientando a enorme massa de madeira e ferro, e sempre apontando para o norte. Para atacar as cidadelas construídas por todos os lados contra a raça humana por superstições, despotismos, preconceitos, a Força deve ter um cérebro e uma lei. Então, ela ousa conquistar resultados permanentes, e aí há progresso real. E acontecem conquistas sublimes. O Pensamento é uma força e a filosofia deve ser uma energia, encontrando seu alvo e seus efeitos no aprimoramento da humanidade. Os dois grandes motores são a Verdade e o Amor. Quando todas estas Forças se combinam, guiadas pelo Intelecto, reguladas pela RÉGUA do Direito e da Justiça, e com movimento e esforço combinados e sistemáticos, a grande revolução para a qual as eras se prepararam começara a marchar" (Albert Pike - Moral e Dogma...)

No ano 416 a.C - em plena guerra do "Peloponeso" - Atenas exigiu a ilha de Melos sua rendição incondicional. Os Melios tentam dialogar, fazem um chamado a justiça e a moral. Os atenienses repostam argumentado que: "Os poderosos fazem aquilo que sua força lhe permitir, enquanto os fracos sofrem as consequências das suas fraquezas"

Inícios do ano 2026 o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump afirma que não precisa do "Direito Internacional" e que sua própria moralidade é seu único limite.

VELHA REALIDADE 


O axioma de Atenas toma corpo de novo. EUA após a II Guerra Mundial tirou duas bombas atómicas acima dum Japão em rendição, para ensinar-lhe a União Soviética quem ia dominar o quadro geopolítico. Mesmo durante um tempo a administração norte-americana a instancias do cientista espacial alemão Wernher von Braun (que trabalhara para os nazistas) esteve duvidando se utilizar esse mesmo poder atómico em uma guerra preventiva contra a mesma URSS - ate que finalmente Stalin se fez também com a arma atómica. O axioma grego seguia a funcionar (talvez nunca se fora de todo): ante um rival geopolítico com similar capacidade de força a procura do equilíbrio era sem dúvida mais aconselhável (isto já era contemplado pelos atenienses). Esse equilíbrio do terror manteve a humanidade a salvo durante um relativo e prolongado tempo - ao que os livro de historia ainda denominam de "Guerra Fria"

  Com a queda do muro de Berlim - a aproximação do plano globalista tomava corpo. As elites ocidentais sentiram-se claramente vencedoras: o mundo somente tinha um caminho (sonhavam ser sem retorno ou bifurcações): o trunfo do modelo liberal - baseado no controlo duma elite privada através do controlo da moeda de reserva global - dos bancos privados internacionais - controlados pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS), com sede em Basileia - e encadeado ao centro da City Londrina e Wall Street - através das "dividas eternas"

Ocidente deslocava sua industria e produção para leste e o sul - a China encaixava como fabrica do mundo - e novo mercado experimental para as corporações norte-americanas que detentavam o controlo do mental - Intelectual do processo, junto ao poder militar - e ao poder cultural... EUA dominava aqui os tres tabuleiros geopolíticos: a) militar b) económico e, c) cientifico - tecnológico - civilizacional.

Na teoria o processo era levando a frente com a naturalidade com que o rio percorre seu longo caminho das montanhas ao mar. Mas o axioma ateniense seguia presente - qualquer tentativa de afastar-se da moeda padrão (Saddam Hussein, no Iraque - Gaddafi, na Líbia...) ou de criar um território soberano fora do controle do Ocidente... era castigado como uso da força. A balcanização (caso da Jugoslávia) como forma de quebrar e enfraquecer um estado soberano também se tornava um método magnifico - para dominação via divida pública e privada de estados pequenos e fracos por definição - que se tornavam altamente dependentes do poder central da elite anglo norte-americana privada.

Nada era relegado para conseguir a finalização do plano. Comandar os centros de emissão e redes de distribuição da energia a nível global se tornou uma necessidade para dar um passo de gigante no fim prioritário: domínio global.

A estratégia de Donald Rumsfeld e Cendrowski para essa realização passava por 7 guerras contra 7 estados soberanos - a fim de torná-los estados vassalos : Afeganistão, Iraque, Líbia, Síria, Líbano, Iémen e, finalmente o Irão - E o plano segue a frente, pois o plano também incluía o controlo total de Israel sobre toda a região - Mas a virada do impacto da realidade resultou certamente pior do que os EUA podiam imaginar

O mais destacado o desgaste económico - que aumentou decisivamente as próprias contradições internas - em 2007/2008 - o sonho globalista chegou a seu fim. A retirada do Afeganistão enfraqueceu mais o "hegemon mundial" através de cujo poder a elite corporativa privada ocidental se expandia pelo mundo. Ante a desolação do meio Oriente o iraniano Qasem Soleimani cria o eixo da resistência: Hezbollah no Líbano, Ansar Allah no Iémen, e as milícias do Iraque, junto a comandos iranianos lutam contra o poder sionista e anglo-americano... Soleimani paga sua ousadia com a vida.

NOVA REALIDADE 


Mas, a pesar das destruição do Iraque, da Líbia, do Iémen, do Líbano e da Palestina - o poder ocidental declina, não somente na região, senão no mundo. No segundo tabuleiro o económico a China está claramente a ganhar a competência pelo controlo global: o Cinturão e Rota - se torna um sucesso de investimento em infraestrutura de conexão com os mercados globais, de penetração de Beijing nos mercados do mundo - e mesmo de controlo das cadeias de subministro global.

Por sua parte a Rússia começava a assaltar o primeiro tabuleiro o militar: ante a necessidade de defender-se contra o projeto de escudo espacial antimísseis dos EUA os russos, deitando mão a um processo tecnológico iniciado a época da URSS - começaram a desenvolver mísseis hipersónicos, impossíveis de deter devido a sua velocidade. Em seu dia Andrei Martyanov já advertiu do que isso significava.

A velha tática britânica da "anaconda" - rodear Rússia de bases militares hostis, desequilibrar seu "estrangeiro próximo" e ir demolindo a periferia da Federação ate implodir o centro de controlo russo - seguia a acrescentar-se. A OTAN seguia avançando e gerando essa pressão, grupos jihadistas destabilizavam o Oriente meio e o Cáucaso afetando o poder de Moscovo.

Com a entrada da guerra na Ucrânia, a Russa mesmo com todos seus erros, conseguiu debilitar seriamente o poder atlântico - Rússia recuperou seu poder de fabricação militar em massa, a OTAN perdeu ingentes quantidades de armamento, seus armazéns começaram a ter falta de reaposição e suas cadeias de suprimento se tornaram mais lentas, dada a menor capacidade de produção que a Rússia - que já estava em modo de sobrevivência militar.

 Pela natureza da mesma lógica das alianças velhos inimigos começaram a achegar-se: a tecnologia hipersónica de repente apareceu no Irão, China e ate no Iémen... A lógica militar de poder naval talassocrático - começava por meio da nova guerra eletrónica, de drones e missilística a deixar passo, devagar, a um novo poder telurocrático - que estava a ganhar terreno. A humilhação da armada norte-americana frente a Ansar Allah, no Iémen (grupo que não pode vencer e teve de pactuar com ele) - deixava entrever certa fragilidade no, em outra hora, incontestável poder Ocidental.

Com esse poder hipersónico, recentemente Irão pode resistir e mudar o curso da guerra (chamada dos 12 dias) com Israel. Por primeira vez, desde sua fundação, o estado sionista recebeu uma avalanche de mísseis que atingiram seu território, criando grande destruição, sem que, o noutra hora magnifico escudo antiaéreo (chamado Domo de Ferro) pudesse parar os ataques...

AS NOVAS NECESSIDADES 

Com a chegada ao poder do presidente Donald Trump, impulsionado pelo movimento MAGA - tudo semelhava aproximar a nova administração dos EUA da Federação Russa. No entanto alianças divergentes, de ambos: os norte-americanos com o poder sionista (grandes investidores que apoiaram economicamente Trump são judeus declarados defensores do Estado de Israel) e os russos com a China e o Irão, assim como o eixo da resistência em Síria, complicaram este inicial acomodo. A reunião de 15 de agosto de 2025, em Anchorage (Alasca) deu aparência dessas divergências poder ser encaminhadas... Mas finalmente o poder norte-americano defensor do controlo privado encontrou uma grande cissão para acomodar-se com os interesses duma Russia defensora dum poder estatal forte.

Trump manteve e segue a manter a pressão económica sobre a Rússia e, no nível militar segue prestando assistência técnica militar a Ucrânia, ainda que o peso da guerra fique nas mãos da Europa... O conflito aparentemente vai ter de ser resolvido pela via militar, bem por esgotamento do contrario, colapso das linhas de frente ou bem por uma paz a força, imposta por tanques à porta da casa...

A sua vez a Rússia segue a apoiar rivais geopolíticos como a Venezuela ou o Brasil, dentro do denominado pelos Estados Unidos "quintal das traseiras" na América Latina; assim como afiança sua aliança com China em este continente (o grande rival comercial a bater pelos EUA). Do mesmo jeito na África dá impulso a mudança do regime neo colonial da Franza, afetando também os interesses norte-americano na região... No Oriente Meio apoia, subtilmente, o Eixo da Resistência.

Fica claro que no embate entre o poder Corporativo Privado e o Poder Estatal, a Rússia apoia o lado da balança que se posiciona em favor duma maior soberania dos Estados, enquanto os EUA o poder corporativo privado. Impossibilitando, ambas dinâmicas, na pratica, acordos que possam ter maior profundidade.

O poder Oligárquico Corporativo Norte-americano têm, pela forma de atuar, chegado ao convencimento de que para confrontar o poder estatal chines e russo, que ele visiona como "totalitário" - precisa, a sua vez, de dar mais espaço a um poder mais autoritário dentro das suas próprias fronteiras... Tendo em conta que aproximação da Rússia à China e, sua relativa unidade contra o mundo Ocidental (acrescentada pela guerra na Ucrânia), também está a trazer uma aproximação de ambos modelos político-económicos - O mundo "multipolar" começa a rumar ate um espécie de neo-socialismo. 

Aqui a realidade interior da Rússia vai dando mais espaço as teorias Sergei Glaziev, que a aliança de patriotas "perna-vermelha" de Alexander Dugin (que teria triunfado se o MAGA houvesse encaminhado a Administração Trump ate um poder estatal que combatesse o poder privado: mas o MAGA após a morte de Charlie Kirk e a marginalização dos elementos mais próximos à Rússia, como Tulcker Carlson, está na base quebrado)... 

A sua vez a reorientação de Sergey Karaganov ao Oriente e a Ásia (a pesar de Karaganov achar possível ainda algum tipo de entendimento com os norte-americanos) e tentativa dos Estados Unidos de quebrar as rotas da seda chinesa, na pratica, marcam uma divergência de interesses, que não semelha ter possibilidade de ser consertada.

O apoio europeu a Turquia e o norte-americano a Israel, que tem quebrado a segurança da czarina Catalina a Grande, quando falava de Damasco como guarda costas de Moscovo; junto a tentativa de derrubar o regime iraniano (a queda da porta de Terão seria já uma situação limite para a Rússia) - separa todavia mais ambos rios - que procuram, pela sua natureza e a suas diversas necessidades, mares de chegada distintos...

A GUERRA COMO  SOLUÇÃO


Estas situações trazem consigo movimentos ousados de força, para demonstrar ao contrario não ter fraqueza e sim firmeza. Estes posicionamentos poderiam, por pressão, abrir conflitos locais, regionais ou globais.

A intervenção recente na Venezuela, e a ameaça ao Irão - dão informação do poder norte-americano de novo ver na guerra uma solução as novas dinâmicas do mundo. Precisando de novo o poder Corporativo Privado de manter o dólar como moeda de reserva global e controlar os centros e fluxos e energia, assim como ter acesso a terras raras - para a carreira da IA e as novas tecnologias... A administração Trump começou 2026 mostrando a força da sua decisão.

Afogada por uma divida económica em aumento - o governo Trump - precisa fazer-se pronto com riquezas tangíveis, que possam ser tomadas como colateral de divida - a vez de situar o mercado de energia de novo na sua moeda (o dólar) - enquanto tenta reindustrializar seu pais a custa da Europa, privada (após o atentado contra o Nord Strean) de energia regular e barata.

Gronelândia, como em seu dia demonstrou a consultoria PRAXIS, é um local ideal para centralizar a corrida do Poder Estado Unidense pela hegemonia da IA e as novas tecnologias - A incorporação dela junto ao Canada - marca parte do controlo, a sua vez, das rotas do Ártico - agora que a rota à Antártida está bem protegida pelo controlo militar dos EUA sobre a Patagónia, e a base militar britânica nas Malvinas.

Este tabuleiro geopolítico novo de instabilidade e guerra, não chama muito a abrir os caminhos da esperança... Então onde a esperança, que permite ºa humanidade continuar evoluindo, reside?

A ESPERANÇA 

A esperança reside em compreender os ciclos vitais da historia - a longa marcha civilizacional - a queda dum centro civilizatório traz consigo o levantamento de outro - O ciclo do poder mercantil privado comercial - semelha chegou a seu fim - O novo ciclo dos cidadãos começa - 

A expansão e consolidação do poder Ocidental - desde que Portugal e Espanha (com a inovadora tecnologia portuguesa da caravela e o galeão) abriram as rotas do mundo para este centro civilizador - chega a seu fim - os países antes satélites do poder ocidental - que nos séculos XIX e XX iniciaram suas independências politicas - agora no século XXI estão a consolidar suas independências económicas - com gigantes como Brasil, China, Índia e Sul-África marcando caminhos... Sua ascensão dependerá do grau de declino do ultimo poder ocidental, mas as dinâmicas históricas não podem ser detidas - Velhos centros caem, novos se levantam

Edgar Cayce acreditava, junto a Rudolf Steiner ser a Rússia um novo centro civilizacional espiritual destinado a impedir o caos tomar conta do mundo. Cayce também visionou a nova China - como centro realizador da mensagem nova do Cristo, não que a China se fora tornar cristã, se não que iria trazer uma nova sociedade mais fraterna, onde o próximo fora considerado um outro eu: um como nós mesmos...

Cayce afirmava também os EUA acabariam unindo-se a Rússia. Tal vez, como afirmava Stainer, quando o Ocidente abandonar o individualismo materialista.

Estas visões podem ao melhor abrir luz sobre a enigmática afirmação de De Gaulle, segundo a qual o povo russo nunca descansaria, enquanto houver uma injustiça sobre a terra...

Parraviccini falava duma América florescendo e uma Europa em queda... Duma Argentina em mudança. Do começo da luz a partir de Venezuela, México e Cuba...

Segundo Parraviccini Latino-América se arrancará o capuz de não ver e verá...

José de Vasconcelos da nova raça cósmica a ser criada na bacia da Prata... E o Brasil como centro do novo ser humano 

Cada ser humano devera tirar suas propias conclusões - mas todos devemos olhar para o bom,  o belo e o justo.

Acreditamos precisamente que tem chegado esse dia, do qual nos falou o Mestre espiritual Pietro Ubaldi, no seu mensagem de Natal de 1931: "Falo hoje a todos os justos da Terra e os chamo de todas as partes do mundo, a fim de unificarem suas aspirações e preces numa oblata que se eleve ao Céu. Que nenhuma barreira de religião, de nacionalidade ou de raça os divida, porque não está longe o dia em que somente uma será a divisão entre os homens: justos e injustos" - Assim que todos os humanos deveremos de acordar para evitar ser escravizados pelo novo perigo que ameaça o planeta: o supremacismo isolacionista - que confere a uma pequena elite o governo total sobre todos os destinos de todos. 

Para caminhar juntos na Reintegração das Partes na  Unidade 

                                      

"O segredo da existência humana reside não só em viver, mas também em saber para que se vive" (Fiódor Dostoiévski - "Os Irmãos Karamázov")


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