A ESPERANÇA NUM MUNDO EM CHAMAS - por Artur Alonso
No ano 416 a.C - em plena guerra do "Peloponeso" - Atenas exigiu a ilha de Melos sua rendição incondicional. Os Melios tentam dialogar, fazem um chamado a justiça e a moral. Os atenienses repostam argumentado que: "Os poderosos fazem aquilo que sua força lhe permitir, enquanto os fracos sofrem as consequências das suas fraquezas"
Inícios do ano 2026 o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump afirma que não precisa do "Direito Internacional" e que sua própria moralidade é seu único limite.
VELHA REALIDADE
O axioma de Atenas toma corpo de novo. EUA após a II Guerra Mundial tirou duas bombas atómicas acima dum Japão em rendição, para ensinar-lhe a União Soviética quem ia dominar o quadro geopolítico. Mesmo durante um tempo a administração norte-americana a instancias do cientista espacial alemão Wernher von Braun (que trabalhara para os nazistas) esteve duvidando se utilizar esse mesmo poder atómico em uma guerra preventiva contra a mesma URSS - ate que finalmente Stalin se fez também com a arma atómica. O axioma grego seguia a funcionar (talvez nunca se fora de todo): ante um rival geopolítico com similar capacidade de força a procura do equilíbrio era sem dúvida mais aconselhável (isto já era contemplado pelos atenienses). Esse equilíbrio do terror manteve a humanidade a salvo durante um relativo e prolongado tempo - ao que os livro de historia ainda denominam de "Guerra Fria"
Com a queda do muro de Berlim - a aproximação do plano globalista tomava corpo. As elites ocidentais sentiram-se claramente vencedoras: o mundo somente tinha um caminho (sonhavam ser sem retorno ou bifurcações): o trunfo do modelo liberal - baseado no controlo duma elite privada através do controlo da moeda de reserva global - dos bancos privados internacionais - controlados pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS), com sede em Basileia - e encadeado ao centro da City Londrina e Wall Street - através das "dividas eternas"
Ocidente deslocava sua industria e produção para leste e o sul - a China encaixava como fabrica do mundo - e novo mercado experimental para as corporações norte-americanas que detentavam o controlo do mental - Intelectual do processo, junto ao poder militar - e ao poder cultural... EUA dominava aqui os tres tabuleiros geopolíticos: a) militar b) económico e, c) cientifico - tecnológico - civilizacional.
Na teoria o processo era levando a frente com a naturalidade com que o rio percorre seu longo caminho das montanhas ao mar. Mas o axioma ateniense seguia presente - qualquer tentativa de afastar-se da moeda padrão (Saddam Hussein, no Iraque - Gaddafi, na Líbia...) ou de criar um território soberano fora do controle do Ocidente... era castigado como uso da força. A balcanização (caso da Jugoslávia) como forma de quebrar e enfraquecer um estado soberano também se tornava um método magnifico - para dominação via divida pública e privada de estados pequenos e fracos por definição - que se tornavam altamente dependentes do poder central da elite anglo norte-americana privada.
Nada era relegado para conseguir a finalização do plano. Comandar os centros de emissão e redes de distribuição da energia a nível global se tornou uma necessidade para dar um passo de gigante no fim prioritário: domínio global.
A estratégia de Donald Rumsfeld e Cendrowski para essa realização passava por 7 guerras contra 7 estados soberanos - a fim de torná-los estados vassalos : Afeganistão, Iraque, Líbia, Síria, Líbano, Iémen e, finalmente o Irão - E o plano segue a frente, pois o plano também incluía o controlo total de Israel sobre toda a região - Mas a virada do impacto da realidade resultou certamente pior do que os EUA podiam imaginar
O mais destacado o desgaste económico - que aumentou decisivamente as próprias contradições internas - em 2007/2008 - o sonho globalista chegou a seu fim. A retirada do Afeganistão enfraqueceu mais o "hegemon mundial" através de cujo poder a elite corporativa privada ocidental se expandia pelo mundo. Ante a desolação do meio Oriente o iraniano Qasem Soleimani cria o eixo da resistência: Hezbollah no Líbano, Ansar Allah no Iémen, e as milícias do Iraque, junto a comandos iranianos lutam contra o poder sionista e anglo-americano... Soleimani paga sua ousadia com a vida.
NOVA REALIDADE
Mas, a pesar das destruição do Iraque, da Líbia, do Iémen, do Líbano e da Palestina - o poder ocidental declina, não somente na região, senão no mundo. No segundo tabuleiro o económico a China está claramente a ganhar a competência pelo controlo global: o Cinturão e Rota - se torna um sucesso de investimento em infraestrutura de conexão com os mercados globais, de penetração de Beijing nos mercados do mundo - e mesmo de controlo das cadeias de subministro global.
Por sua parte a Rússia começava a assaltar o primeiro tabuleiro o militar: ante a necessidade de defender-se contra o projeto de escudo espacial antimísseis dos EUA os russos, deitando mão a um processo tecnológico iniciado a época da URSS - começaram a desenvolver mísseis hipersónicos, impossíveis de deter devido a sua velocidade. Em seu dia Andrei Martyanov já advertiu do que isso significava.
A velha tática britânica da "anaconda" - rodear Rússia de bases militares hostis, desequilibrar seu "estrangeiro próximo" e ir demolindo a periferia da Federação ate implodir o centro de controlo russo - seguia a acrescentar-se. A OTAN seguia avançando e gerando essa pressão, grupos jihadistas destabilizavam o Oriente meio e o Cáucaso afetando o poder de Moscovo.
Com a entrada da guerra na Ucrânia, a Russa mesmo com todos seus erros, conseguiu debilitar seriamente o poder atlântico - Rússia recuperou seu poder de fabricação militar em massa, a OTAN perdeu ingentes quantidades de armamento, seus armazéns começaram a ter falta de reaposição e suas cadeias de suprimento se tornaram mais lentas, dada a menor capacidade de produção que a Rússia - que já estava em modo de sobrevivência militar.
Pela natureza da mesma lógica das alianças velhos inimigos começaram a achegar-se: a tecnologia hipersónica de repente apareceu no Irão, China e ate no Iémen... A lógica militar de poder naval talassocrático - começava por meio da nova guerra eletrónica, de drones e missilística a deixar passo, devagar, a um novo poder telurocrático - que estava a ganhar terreno. A humilhação da armada norte-americana frente a Ansar Allah, no Iémen (grupo que não pode vencer e teve de pactuar com ele) - deixava entrever certa fragilidade no, em outra hora, incontestável poder Ocidental.
Com esse poder hipersónico, recentemente Irão pode resistir e mudar o curso da guerra (chamada dos 12 dias) com Israel. Por primeira vez, desde sua fundação, o estado sionista recebeu uma avalanche de mísseis que atingiram seu território, criando grande destruição, sem que, o noutra hora magnifico escudo antiaéreo (chamado Domo de Ferro) pudesse parar os ataques...
AS NOVAS NECESSIDADES
Com a chegada ao poder do presidente Donald Trump, impulsionado pelo movimento MAGA - tudo semelhava aproximar a nova administração dos EUA da Federação Russa. No entanto alianças divergentes, de ambos: os norte-americanos com o poder sionista (grandes investidores que apoiaram economicamente Trump são judeus declarados defensores do Estado de Israel) e os russos com a China e o Irão, assim como o eixo da resistência em Síria, complicaram este inicial acomodo. A reunião de 15 de agosto de 2025, em Anchorage (Alasca) deu aparência dessas divergências poder ser encaminhadas... Mas finalmente o poder norte-americano defensor do controlo privado encontrou uma grande cissão para acomodar-se com os interesses duma Russia defensora dum poder estatal forte.
Trump manteve e segue a manter a pressão económica sobre a Rússia e, no nível militar segue prestando assistência técnica militar a Ucrânia, ainda que o peso da guerra fique nas mãos da Europa... O conflito aparentemente vai ter de ser resolvido pela via militar, bem por esgotamento do contrario, colapso das linhas de frente ou bem por uma paz a força, imposta por tanques à porta da casa...
A sua vez a Rússia segue a apoiar rivais geopolíticos como a Venezuela ou o Brasil, dentro do denominado pelos Estados Unidos "quintal das traseiras" na América Latina; assim como afiança sua aliança com China em este continente (o grande rival comercial a bater pelos EUA). Do mesmo jeito na África dá impulso a mudança do regime neo colonial da Franza, afetando também os interesses norte-americano na região... No Oriente Meio apoia, subtilmente, o Eixo da Resistência.
Fica claro que no embate entre o poder Corporativo Privado e o Poder Estatal, a Rússia apoia o lado da balança que se posiciona em favor duma maior soberania dos Estados, enquanto os EUA o poder corporativo privado. Impossibilitando, ambas dinâmicas, na pratica, acordos que possam ter maior profundidade.
O poder Oligárquico Corporativo Norte-americano têm, pela forma de atuar, chegado ao convencimento de que para confrontar o poder estatal chines e russo, que ele visiona como "totalitário" - precisa, a sua vez, de dar mais espaço a um poder mais autoritário dentro das suas próprias fronteiras... Tendo em conta que aproximação da Rússia à China e, sua relativa unidade contra o mundo Ocidental (acrescentada pela guerra na Ucrânia), também está a trazer uma aproximação de ambos modelos político-económicos - O mundo "multipolar" começa a rumar ate um espécie de neo-socialismo.
Aqui a realidade interior da Rússia vai dando mais espaço as teorias Sergei Glaziev, que a aliança de patriotas "perna-vermelha" de Alexander Dugin (que teria triunfado se o MAGA houvesse encaminhado a Administração Trump ate um poder estatal que combatesse o poder privado: mas o MAGA após a morte de Charlie Kirk e a marginalização dos elementos mais próximos à Rússia, como Tulcker Carlson, está na base quebrado)...
A sua vez a reorientação de Sergey Karaganov ao Oriente e a Ásia (a pesar de Karaganov achar possível ainda algum tipo de entendimento com os norte-americanos) e tentativa dos Estados Unidos de quebrar as rotas da seda chinesa, na pratica, marcam uma divergência de interesses, que não semelha ter possibilidade de ser consertada.
O apoio europeu a Turquia e o norte-americano a Israel, que tem quebrado a segurança da czarina Catalina a Grande, quando falava de Damasco como guarda costas de Moscovo; junto a tentativa de derrubar o regime iraniano (a queda da porta de Terão seria já uma situação limite para a Rússia) - separa todavia mais ambos rios - que procuram, pela sua natureza e a suas diversas necessidades, mares de chegada distintos...
A GUERRA COMO SOLUÇÃO
Estas situações trazem consigo movimentos ousados de força, para demonstrar ao contrario não ter fraqueza e sim firmeza. Estes posicionamentos poderiam, por pressão, abrir conflitos locais, regionais ou globais.
A intervenção recente na Venezuela, e a ameaça ao Irão - dão informação do poder norte-americano de novo ver na guerra uma solução as novas dinâmicas do mundo. Precisando de novo o poder Corporativo Privado de manter o dólar como moeda de reserva global e controlar os centros e fluxos e energia, assim como ter acesso a terras raras - para a carreira da IA e as novas tecnologias... A administração Trump começou 2026 mostrando a força da sua decisão.
Afogada por uma divida económica em aumento - o governo Trump - precisa fazer-se pronto com riquezas tangíveis, que possam ser tomadas como colateral de divida - a vez de situar o mercado de energia de novo na sua moeda (o dólar) - enquanto tenta reindustrializar seu pais a custa da Europa, privada (após o atentado contra o Nord Strean) de energia regular e barata.
Gronelândia, como em seu dia demonstrou a consultoria PRAXIS, é um local ideal para centralizar a corrida do Poder Estado Unidense pela hegemonia da IA e as novas tecnologias - A incorporação dela junto ao Canada - marca parte do controlo, a sua vez, das rotas do Ártico - agora que a rota à Antártida está bem protegida pelo controlo militar dos EUA sobre a Patagónia, e a base militar britânica nas Malvinas.
Este tabuleiro geopolítico novo de instabilidade e guerra, não chama muito a abrir os caminhos da esperança... Então onde a esperança, que permite ºa humanidade continuar evoluindo, reside?
A ESPERANÇA
A esperança reside em compreender os ciclos vitais da historia - a longa marcha civilizacional - a queda dum centro civilizatório traz consigo o levantamento de outro - O ciclo do poder mercantil privado comercial - semelha chegou a seu fim - O novo ciclo dos cidadãos começa -
A expansão e consolidação do poder Ocidental - desde que Portugal e Espanha (com a inovadora tecnologia portuguesa da caravela e o galeão) abriram as rotas do mundo para este centro civilizador - chega a seu fim - os países antes satélites do poder ocidental - que nos séculos XIX e XX iniciaram suas independências politicas - agora no século XXI estão a consolidar suas independências económicas - com gigantes como Brasil, China, Índia e Sul-África marcando caminhos... Sua ascensão dependerá do grau de declino do ultimo poder ocidental, mas as dinâmicas históricas não podem ser detidas - Velhos centros caem, novos se levantam
Edgar Cayce acreditava, junto a Rudolf Steiner ser a Rússia um novo centro civilizacional espiritual destinado a impedir o caos tomar conta do mundo. Cayce também visionou a nova China - como centro realizador da mensagem nova do Cristo, não que a China se fora tornar cristã, se não que iria trazer uma nova sociedade mais fraterna, onde o próximo fora considerado um outro eu: um como nós mesmos...
Cayce afirmava também os EUA acabariam unindo-se a Rússia. Tal vez, como afirmava Stainer, quando o Ocidente abandonar o individualismo materialista.
Estas visões podem ao melhor abrir luz sobre a enigmática afirmação de De Gaulle, segundo a qual o povo russo nunca descansaria, enquanto houver uma injustiça sobre a terra...
Parraviccini falava duma América florescendo e uma Europa em queda... Duma Argentina em mudança. Do começo da luz a partir de Venezuela, México e Cuba...
Segundo Parraviccini Latino-América se arrancará o capuz de não ver e verá...
José de Vasconcelos da nova raça cósmica a ser criada na bacia da Prata... E o Brasil como centro do novo ser humano
Cada ser humano devera tirar suas propias conclusões - mas todos devemos olhar para o bom, o belo e o justo.
Para caminhar juntos na Reintegração das Partes na Unidade
"O segredo da existência humana reside não só em viver, mas também em saber para que se vive" (Fiódor Dostoiévski - "Os Irmãos Karamázov")
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