A CARÍCIA DO POR DO SOL - por ARTUR ALONSO
Hoje, de novo, a tarde se foi morna.
Acostuma ser assim desde tua chegada.
As pessoas que passeiam e deitam pegadas no pó,
na relva, sobre o húmido prado,
nada sabem dos nossos pensamentos
Também nós não sabemos muito acerca de ti,
a pesar da tua alma chegar à nossa
tão livre como inocente
O amor por realizar
condensa a aflição de velhos
e nunca, de todo, vividos momentos
que marcam nosso presente
Aqui apenas as flores que brotam
se movimentam ao ritmo
de eternas harmonias
Diz que sua clave é o sonho de Fibonacci
Uma espiral geométrica
que na áurea proporção se esconde
com suas pétalas de vivas cores,
ramificações das árvores e caramujos ocos...
E nós isentos de toda numeração
aguardando por uma incerta chamada
como se o destino fora um caminho
que não deve, nunca deve, demorar-se
(e em isso sempre estivemos errados...)
Nosso encontro embelezava
quando nossas almas se encontravam
em presença de outros, outras irmãs
irmãos que deambulam pelo mesmo destino
(adormecidos)
na procura daquele Santo Graal
dentro do seu Templo, pelo de agora, esquecido
Isso cria, de antemão, uma necessidade
que observa
e nessa premissa de esperar,
tal vez ao fim nosso espírito empreenda
o caminho da compreensão
na vontade de viajar, sem demora, até Fisterra
E aí, ao sopé das falésias encontrar
juto a beira mar
uma certa voz na caída da tarde
(tua voz interior a falar
por primeira vez na porta do silencio
que é amável)
Um rumor incerto na cor dos olhos do sol
e no sorriso que nos deste, eterno,
antes de partir,
como um sussurro a confirmar
a voz que no poente chama - e escutamos,
atrás da garganta do Amor Incondicional dizer:
Agora sim,
mesmo que não, morreu a indecisão permanente...
Agora é teu momento!
Ai, amor, e tu sem ainda saber
que nesse instante é quando nosso coração
compõe a cantiga que mata
toda imaginada ausência
e nos deixamos levar, por fim, para sempre
na Entrega única e verdadeira,
na Entrega (ao Infinito) Permanente
Ai por fim o horizonte deixa de continuamente partir
e sol, por fim, ainda sem nós de todo saber,
definitivamente, sem nenhum critério racional,
tal como somos nos aceita
com seu braços somente abertos
para o peregrino que regressa...
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