Declínio Ocidental- guerra iminente? - Por Artur Alonso

Num recente artigo, intitulado: " Lição de EUA para China: As finanças devem servir, não dominar" - o professor Wen Yi, nos adverte do perigo de uma elite corporativa dominar e controlar, em seu beneficio privado, o Estado. Wen Yi relata, como todos os centros ocidentais, passando por Veneza, Países Baixos, Grã Bretanha e agora os EUA, realizaram um caminho semelhante de expansão- consolidação- assentamento e queda. Este caminho basicamente consistiu e consiste todavia (no caso dos Estados Unidos) de: fortalecimento comercial, industrialização, expansão setor financeiro, desligamento das finanças da economia real e perda de vitalidade industrial e renovação científico tecnológica (como consequência deste afastamento entre finanças e economia real) e inevitável deterioração social - com implosão e queda. O professor Michael Hudson, em seus recentes estudos, sobre a história económica- em textos muito didáticos e com implicações geopolíticas, já nos explicava como na antiguidade e nos primórdios da civilização, o Estado confrontava o poder privado, impedindo através de "quitação de dívida " - o poder comercial e estaral fosse engolido pelo poder financeiro.
BREVE CONTEXTO HISTÓRICO Acontece que em Ocidente, ja com a toma de Bizancio, pelo poder veneziano, na infame IV Cruzada, de 1204 - O poder cristiano de Oriente, com sede em Constantinopla (do que Rússia vai ser seu herdeiro, através de laço matrimonial com a descendente do último monarca bizantino) - vai ceder suas riquezas e posição central ao poder Veneziano e Romano- ao instaurar um reino latino de Oriente- nas muralhas da mesma Constantinopla. Esse poder privado lombardo veneziano vai crescer e realizar, mediante sua difusão e, por meio, das suas impressas, a expansão da Reforma Protestante (ate a decomposição estatal da Europa, na guerra dos 30 anos). Anteriormente vai dominar os reinos medievais através das dívidas soberanas- ate a implosão bancária- de inícios do século XIV. O que facilitou, durante o século XV, que os medievais reinos abandonaram aquele sistema e tentaram implementar os nobres ideais de Nicolau de Cusa. Mas no seculo XVI, o partido veneziano toma conta da Inglaterra de Henrique VIII (separando-a da Espanha), por meio da família de comerciantes das irmãs Bolena. Após o trunfo da revolução Gloriosa, no século XVII, e da queda de Robespierre, no século XVIII, junto com a de Napoleão, no século XIX, este poder ja veneziano-neerlandês e anglo-saxónico - se tornará o motor e controlador dos tempos na Europa - impulsando finalmente o poder britânico, após a I Guerra Mundial (com a queda dos impérios e poderes estatais, que podiam fazer-lhe sombra: como o Otomano, Russo ou Austro-hungaro) na sua tentativa de domínio do orbe. Lembrar o poder hispano já tinha sido quebrado, e o português fora absorvido pelo espanhol no seu tempo - para obter sua independência Portugal - teve de entregar-se a controlo da Inglaterra. Com o fim da II Guerra Mundial, e a posterior morte de Stalin (com o abandono de Kruschev do padrão ouro) esse poder vai conseguir- após a implosão interna da União Soviética, com Gorvachev- sonhar controlar todo o Orbe.
CONTEXTO ATUAL Mas na implosão do pulmão financeiro de 2007 - 2008, este poder marítimo talassocrático- financeiro privado- que controlava o mundo por meio de seus Bancos Centrais - Privados - geradores de moeda em forma de dívidas eternas - vai descrescer de forma alarmante no mundo permitindo novas alianças- de caráter mais estatal soberanista- telurocrático- que começaram a ocupar os espaços, que este poder privado, no seu recuo, deixa mais livres. Na atualidade este declínio se faz evidente no seu centro atual dos EUA- com problemas na área militar (que criam impossibilidade de dominar áreas tão importantes como o Oriente Meio - onde a guerra com Irão está a criar problemas, mesmo para a sobrevivência de seu Estado fulcral na região: Israel- Mesmo com certas possibilidades de afastamento de países aliados na zona, que olham aquele poder militar norte-americano, que garantia sua sobrevivência, estar a afundar neste novo embate)... A dívida norte-americana de 40 milhões de milhões (40 triliões), com juros anuais de mais de 1, 5 triliões... afunda a economia do gigante norte-americano, em tempos de afastamento paulatino do padrão dólar- em transacções comerciais globais, entre estados emergentes, por medo às sanções ou confinamento de ativos em bancos ocidentais. A tentativa de criar um Estado de Israel expandido do Nilo ao Eufrates- do novo poder sionista imperialista - teria que trazer consigo a destruição do poder iraniano e turco na região, assim como a queda do poder saudia, jordano e sírio (poder opositor sírio foi derrubado com o auxílio turco, mas agora Ancara está numa armadilha). Uma solução seria uma guerra regional entre o Islão sunita e xiita - para definitivamente enfraquecer todo o poder muçulmano emergente. Mas o mal desempenho norte-americano na guerra do Irão, ate o momento e, a reunião em Bishkek de paquistaneses, iranianos, chineses e russos, assim como contactos diretos entre Turquia, Paquistão e Arábia Saudita- com o ideal de criar um poder islâmico sunita- com a capacidade do poder atómico paquistaneses, que pudera substitur um enfraquecido poder norte-americano na região (junto a ponte Paquistão China para convencer o Irão que esse poder não iria contra ele) não parece favorecer a posição de Israel e os EUA, a longo prazo. E o anúncio recente da Assambleia legislativa iraniana de mudar sua doutrina nuclear - vai em contra também dos interesses norte-americanos e israelenses. No caso da guerra na Ucrânia, com a tentativa de por em riso o poder do Kremlin - de momento e, a pesar dos ataques ucranianos a infraestrutura estratégica russa, o curso do confronto segue a ser favorável a Federação Russa. Numa tentativa por parte da administração Trump - de mudar a baixa popularidade do atual Presidente norte-americano, enviados dos EUA, chegaram a Moscovo - para tentar chegar a um acordo de "fim de guerra" - e assim, junto ao "relativo controlo dos recursos energéticos da Venezuela" - a propaganda pró Trump, puder tentar realçar seu partido muito perto das eleições de meio mandato. No obstante o Kremlin já deixou claro que não vai aceitar um cessar o fogo, que possa valer para abastecer de armas a Ucrânia e dar fôlegos a um governo com muita baixa popularidade - e com guerra internas muito visíveis. A Rússia somente aceitará um fim da guerra - nas condições por ela ditadas - com a neutralidade dum novo governo ucraniano - o levantamento das sanções e o acesso a seus ativos no exterior - junto a certificação dos territórios anexados como parte da Federação russa. Algo que complica bastante a missão dos enviados especiais do presidente norte-americano, mas pode permitir ao partido de Trump - lançar sua propaganda ate a data das eleições - pois este parece ser o objetivo. A sua vez a tentativa duma guerra no mar da China na disputa com Taiwan, envolvendo Japão (Austrália?) Coreia do Sul e EUA... Também de momento não dá- pela falta de recursos militares dos próprios EUA para afrontar duas frentes. Pelo receio da Coreia do Sul, que teve de observar suas defesas diminuidas, quando os EUA decidiram relocar sistema defensivos anti mísseis desde a Coreia do Sul até Israel. O que levou a Seul a abrir novos contactos de paz com Pyongiang. O Japão numa gravíssima crise de dívida esta a observar novas saídas e novas possíveis alianças. Problema do Japão, com sua necessidade de abrir novos mercados na Ásia, é que o novo governo tem uma visão neo imperial - mesmo relatando os massacres e abusos do exercito japonês, durante a II Guerra Mundial, como propaganda do inimigo. Algo que seus vizinhos como a China e a Coreia vêm como muito. preocupante. Se Tóquio não saber como modificar seu rumo em tempos cambiantes - poderia mesmo sua dívida entrar em risco por falta de pagamento. Japão nos anos noventa foi forçado a deixar a economia industrial, produtiva e inovadora cientifico tecnológica, por causa dos EUA ver com receio sua expansão por todo mundo. Essa virada de modelo em favor duma economia financeira levou ao resultado atual - onde a mesma China está a inovar mais e melhor em áreas como a robótica, donde o Japão, em décadas passadas, era incontestável. Por sua vez contradições internas impulsam a agenda Corporativa privad em mais duas frentes; no mar da China - ativando o confronto de Taiwan - E na América do Sul tentando rodear o Brasil- e retirar de Brasília todo poder que pretenda avançar a favor da soberania.
A POSSIBILIDADE DE ACOMODO Um acomodo geopolítico seria possivel - entre as três potencias atuais, com capacidade de intervenção global: China, Rússia e Estados Unidos. Mas o poder privado Corporativo anglo-veneziana-neerlandes-sionista - Desde a queda da URSS convertido em Globalita - teme um acordo deste nível possa significar o fim da sua hegemonia- se os Estados reafirmar o poder do interesse publico e nacional- sobre o Corporativo privado Isto impulsa a tentativa do Poder Coorporativo Privada de abrir uma guerra em três frentes - Ucrânia para enfraquecer Rússia, Ocidente da Ásia (Oriente Meio) para quebrar as rotas da seda - enfraquecer o crescente poder do muçulmano e favorecer Israel - e Ásia pacifico para tentar travar o avanço chinês em todas as áreas. Com uma tentativa de dominar toda o continente americano. Mas de momento, o enfraquecimento paulatino do poder militar único Privado Coorporitivo - com sede nos EUA - dificulta muito chegar, em breve, a este cenário. Assim como o incampacidade, ate o de agora, dum complexo militar industrial europeu - ser viável no curto prazo. No entanto, este poder Privado anti-estatal segue a forçar cenários de guerra, tentanto aumentar a escalada. Em este cenário somente uma mudança radical nos EUA- com toma do poder sector soberanista ainda vivo (cenário pouco realista, na atualidade) ou pela contra uma implosão sistémica (algo ainda não imediato) poderiam impedir a escalada belicista global - que tanto teme a humanidade. Outro cenário menos apocalíptico seria o desgaste imperial por excesso de confrontos - perda relativa da sua capacidade de intervenção militar e retirada obrigatória a suas fronteiras Vamos ver se a guerra contra o Irão não enfraquece em excesso as contradições várias dentro dum poder norte-americano em tempos de dificuldade - forçando o mesmo a um recuo - que dê um alivio à humanidade na escalada a favor das guerras - cenário mais otismota para todos nós.

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