O PASSEIO DO RIO - Por Artur Alonso



Não poderíamos exigir nada de Deus... No nosso caso todo nos foi dado em abundância. 

As grandes dores e sofrimentos, os terríveis desafios; assim como os pequenos, suculentos goces, e os grandes placeres (com a imaginação acrescentados) - formaram parte do forjar - temperar a nossa espada. A vontade de viver aceitando toda circunstância 

Temos contemplado paisagens de tirar o folego. Montanhas onde a mão de Deus criou um desafio para as pernas e os olhos dos homens. Cordilheiras inacessíveis- contempladas desde um promontório, sonhando não pode haver beleza que se compare. Vales de abundante vegetação, canhões de rios, de serpenteantes travessias, onde o coração descansa - porque sabe que estás na Sagrada Riviera, na terra da linhagem do teu pai, e uma voz interior te diz: contempla tuas raízes - o filho de guerreiros indomaveis - daquele seus passados trabalhos a luz que agora habita na tua alma.

Temos desfrutado aromas extraordinários de jardins feitos, com sabedoria e muito amor, pela laboriosa inteligência dos humanos seres - que a pesar de tanta cobiça e ira, também sabe recriar o paraíso celestial - que algum dia aspiramos a ver realizar seu lugar na Terra.

Temos contemplado palácios requintados de uma arquitectura e ornamentação que tiram dos sentidos a voz, na arte de elucidar sobre como possível será  entender o enigma das nossas reais capacidades.

Assistimos a concertos musicais - de tal esplendoroso virtuosismo e sublime ejecção, que nos surpreenderam na sua abundância, de luz e arte...

Execuções tão harmonias, tão extraordinárias, que mesmo o ouvido assente - crendo todo nosso corpo se elevar até a cúpula celeste de amor se sobrecarrega - Para assim nos transportar ate o son das boas estrelas 

E mesmo assim, aqui, muito perto da nossa casa - ao início da curva do rio (tu bem sabes meu amor, poderíamos tardes inteiras ficar pasmados a contemplar aquela curva - que nos esconde seu curso natural...)


E nessa curva começa um passeio ao atardecer - onde tu, eu, nossa cadelinha Bria, somos protagonistas

Todos os dias a mesma rota. Todos os dias tu encontras um algo distinto, renascido, fora de sitio: um rebento de novas flores a brotar, um ramo caído, quebrado no chão (que tu com gentileza retiras do caminho). 

Um novo ser a nascer, um novo canto sinal de novas espécies de aves, ter perto do rio aninhado...

No começo do passeio, ainda perto da cidade- quanta gente te cumprimenta, com tanto carinho, tanto amor - Que teimo a assegurar a gente agradece tudo quanto tu, em anos, lhes tes dado... Mas tu com um encantador sorriso lhe retiras toda importância e, voltas a tua natural calmada humildade. 

Muitas dessas pessoas que nos cumprimentam, foram pacientes teus - naquela consulta médica, que eles ainda falam tanto ainda nota tua falta.

Não era questão do teu saber profissional, senão da paciência, preocupação e amor dado, a cada pessoa, não somente segundo as necessidades do corpo, senão também da alma...

E isso te fez uma pessoa especial  - eu bem sei que sempre estiveste cheia de bondade - Mas tu de novo mudas de conversa, e com o sorriso habitual respostas: - a gente aqui, com todo o mundo é muito amável 

Mas eu sei bem a realidade - tanto é o carnho que a gente te tem, que eu passei, em este bairro a perder o meu nome e ser referenciado: como o "marido da Doutora Margot"

E, na verdade gosto muito disso - E dos passeios inicidos sempre em alguma das curvas do rio - das águas termais a sua beira - que tem curado a dermatite da nossa cadelinha Bria - e lhe tem dado tanta macia sensação no pelo, brilho na distância... E a nosso rosto descanso...

Gosto desse passeio rotineiro, diario - e ao final.da tarde contemplar, em dias de bom sol, sentados num branquinho de pedra, o fulgor do astro rei delicadamente ir-se deitando nas celestias moradas, deixando a lua seu passo aberto - como num pactuado intercambio 

Gosto da chuva, aromas diversos a levantar do chão- Do vento trazendo delicados perfumes na distância...

E do que mais, sempre vou gostar, do momento em que olhamos juntos, em silencio, ao horizinte -realizando com amor o poder da unidade

No fim da tarde: nossos corações entrelaçados 




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