LEMBRANÇA DO SOL - Artur Alonso
Tantas vezes pensei, para ti, a harmonia da chuva, tal vez, no teu cabelo; na manha mais húmida, em que aquele raio de vida: verdes as pupilas, sobre montanhas verdes, refletiu, atras das nossas costas, aquele dia em que, tremendo de duvidas, recitei para ti (somente para ti) teu primeiro e único poema de amor Agora, com a caída da folha, pelo vento virado canção (sonhado foi em segredo...) Quantas vezes eu pensei nos seres que habitam dentro de nós, na sabedoria que dos muitos aprendi simplesmente para entregar-te una camisa flutuando dentro da tua límpida alma E tu rejeita-la como um costume (temendo muito astuta a encoberta, do homem, dominação), porque aprendeste na adolescência que ninguém entrega nenhum embrulho como ouro, em um feitiço carregado de paixão (dada a frieza de quem sabe ver a emoção alterar a harmoniosa visão do mundo no qual habitas Sendo teu dever de ser por sinal pragmá...