A MESA, A UNIDADE E O ACORDAR - Por Artur Alonso
O táctil somente é
repulsão electromagnética.
Teus átomos jamais
poderiam juntar-se
com os meus
em telhados de almofadas,
brancos imaginados lençóis
ou em aromas de grinaldas
no jardim das lendas passadas
E no entanto tu és tão real
como a mesa que precisa
dum local onde acomodar-se:
Uma toalha de linho,
uma família e um amoroso jantar
de couves e pão caseiro
Há quanto tempo
não aparece acima daquela
nossa mesa,
alem de quatro talheres,
uma família completa
para juntos almoçar
com o sorriso dos filhos,
o neto e um contador
de fadas que dão infância?
Tu e eu
fazemos as vezes
dum conjunto de parentes
muito singular.
Muito alem
das mãos entrelaçadas ao acordar
- pelo amor feito substância -
Por muito que não se juntem
nossos corações batem à par
E isso faz a toda raça humana
ter licença para aguardar de Deus
uma oportunidade para alcançar
o dia da glória ainda por anunciar,
onde toda frequência dispersa
unida vai voltar vibrar
na harmonia das criatividades
(múltiplas mas não divergentes)
Nesse dia a Sinfonia da Vitória
todo o poente vai ocupar
muito alem das estradas
que deixaram de chegar,
quem sabe por que motivo,
a quase mais de meio século,
devagar, muito devagar,
nossos passos auspiciosos
ate as portas de Kaliningrado...
(Para minha amada Margot...)
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